Comportamento

Semanalmente, um psicólogo associado da Ser-PSI escreve abordando um tema relevante. A Ser-PSI, é uma associação formada por profissionais e estudantes de psicologia, das cidades de Carlos Barbosa e Garibaldi. Fundada em 2008, o grupo atua na integração dos profissionais, promovendo estudo e pesquisa, além de voltar-se à integração com estudantes e a comunidade.

A saúde mental do trabalhador na atualidade

03/10/2017 - Fonte: Portal Adesso

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     Nesta primeira coluna, que semanalmente abordará algum assunto da área de psicologia, quem escreve é a presidente da Associação dos Psicólogos de Carlos Barbosa e Garibaldi, Luciane Rippel.

 

     “O ser humano é capaz de adaptar-se ao meio-ambiente desfavorável, mas esta adaptação não acontece impunemente” (Lennart – Levy)

     A relação entre saúde e trabalho configurou‐se como uma questão prioritária, importante para a formação da identidade do trabalhador, bem como na inserção social das pessoas.  Neste contexto, o impacto que o trabalho tem na vida das pessoas é determinante para a satisfação profissional e para a saúde mental.  Essa relação depende em grande escala dos suportes afetivos e sociais que provém do relacionamento interpessoal no ambiente de trabalho. Porém, nem sempre o trabalho possibilita suportes adequados.

     As inovações tecnológicas, as novas formas de gestão, a globalização financeira, o ritmo acelerado em tudo e para tudo causaram inúmeras transformações no mundo do trabalho. Quando o trabalho se estrutura de forma rígida, valorizando somente o aspecto econômico e a exigência de produtividade em detrimento da subjetividade, ou seja, do mundo interno do indivíduo, o resultado será um desajuste, uma incompatibilidade entre o trabalhador e o processo de trabalho. A inflexibilidade do processo institucional e as exigências a que são submetidos os profissionais podem comprometer fenômenos psicológicos, podendo gerar insatisfação e ansiedade, o que traz repercussões nas relações sociais e profissionais.

     As pessoas, em geral, utilizam uma grande parcela de suas vidas na dedicação ao trabalho, o que além de possibilitar crescimento, transformações, reconhecimento e independência, também podem causar problemas que afetam diretamente a saúde mental. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos mentais chamados “menores” atingem 30% dos trabalhadores ocupados, já os transtornos mentais graves ficam entre 5% e 10%.

     Sabe-se também que o agravamento desses transtornos mentais dos trabalhadores submetidos a condições penosas é frequente, podendo levar ao consumo de drogas, a sofrerem acidentes de trabalho, à incapacidade para a execução de tarefas, ao afastamento do trabalho por tempo prolongado e à exclusão do mercado.

     No Brasil, as doenças mentais são responsáveis por cinco de 10 afastamentos do trabalho, sendo que o principal deles é a depressão. Esse cenário se mostra importante para que as empresas façam investimentos em um ambiente organizacional de qualidade, já que os problemas de saúde relacionados ao trabalho não são apenas desgastantes ao funcionário, mas para o empregador também.

     Quais então seriam os caminhos para o enfrentamento deste adoecimento no mundo do trabalho? Para a manutenção da saúde mental e da produtividade é importante haver o equilíbrio entre fatores estressores, próprios do viver, do ambiente profissional, do lazer e do chamado ócio criativo, que designa atividades que trazem alegria e satisfação pessoal, aumentando a criatividade e o desempenho no trabalho. Pontuamos algumas formas de realizar esse enfrentamento:

- Educar-se sobre estresse, saúde e qualidade de vida;

- Refletir sobre a própria vida e as escolhas pessoais;

- Ter consciência sobre seus limites;

- Ocupar o tempo livre com atividades úteis e prazerosas;

- Buscar ajuda profissional quando necessário;

- Buscar desenvolver e melhorar a comunicação e as relações.

     Com certeza o trabalho ocupa lugar central na vida de quem o realiza. Seja por ser meio de sobrevivência, seja pelo tempo da vida a ele dedicado, seja por ser meio de realização não apenas profissional, mas pessoal.

     O trabalho é um dos principais instrumentos pelo qual o ser humano dialoga com seu meio social e com seu tempo. Por isso, o sofrimento pode estar presente no ambiente de trabalho, mas ele não é, necessariamente, a entidade responsável pelo sofrer humano. Trata-se de um sistema complexo de interações que envolvem questões pessoais, tarefas, responsabilidades, relações interpessoais, recompensas e expectativas, riscos à saúde física e sentimentos particulares em relação a esse contexto. Esse aglomerado de vivências interligadas e a forma como cada ser humano aprendeu a lidar com suas experiências definirá o seu estado de saúde mental.

 

Luciane Rippel

Psicóloga – Presidente da Ser-PSi

Associação de Psicólogos – C.B. e Garibaldi

www.serpsi.org.br

 

 

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