Irineu Guarnier Filho

Irineu Guarnier Filho é jornalista especializado em agronegócio e vinhos, atua cobrindo este setor há cerca de 30 anos.

Campo Vital

08/03/2018 - Fonte: Portal Adesso

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 Olá amigos, 

A partir desta semana, inicio minha coluna aqui no Portal Adesso, importante veículo de mídia digital da Serra Gaúcha. Por aqui, vou abordar, semanalmente, temas que envolvem o agronegócio e os vinhos. 

 

CAUTELA E CANJA DE GALINHA...

A avicultura e a suinocultura são segmentos de excelência na pauta de exportações agrícolas do Brasil. Temos volume, preço e sanidade incontestáveis. Não por acaso, a carne de frango brasileira é exportada para mais de 150 países, e movimenta US$ 8 bilhões por ano – graças, principalmente, ao alto valor agregado dos cortes. Se exportássemos apenas a soja e o milho que alimentam as aves, a receita seria quatro vezes menor.

Por isso, é preciso cautela e canja de galinha, como se diz popularmente, ante as denúncias da terceira fase da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. Sobretudo para que não se repitam os erros da primeira etapa. Como declarou a Associação Brasileira de Proteína Animal(ABPA), as atuais denúncias envolvem situações pontuais e sob investigação do Ministério da Agricultura.

Desta vez, apenas algumas unidades de uma única empresa, a BRF, estão sob suspeita. Mesmo assim, de acordo com a ABPA, o problema estaria na presença do grupo Salmonela Spp, que é destruída no cozimento dos alimentos. Ou seja, sem risco à saúde da população. Antes de qualquer manifestação negativa generalista, portanto, vale lembrar o que disse o presidente da ABPA, Francisco Turra: “A generalização é prima-irmã da injustiça”.

                                            

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E A ESTIAGEM VOLTOU

O Rio Grande do Sul tem um histórico de sete em cada dez safras prejudicadas por estiagens – em maior ou menor intensidade. Nos cinco últimos anos choveu bem no verão, e o problema da estiagem ficou praticamente esquecido. Investimentos em irrigação ou reservação da água da chuva do inverno foram postergados. Mas neste ano o problema voltou.

Calcula-se que a quebra na safra de verão será de cerca de 9,16% em relação à do ano passado. Serão cerca de R$ 3 bilhões a menos circulando na economia (se não houver uma reação nos preços das principais commodities agrícolas). Isso porque a estiagem atingiu somente a Metade Sul do estado, senão seria bem mais complicado. A diferença de produtividade entre as lavouras de soja do Norte e as do Sul pode ficar em cerca de mil quilos por hectare. No milho, a situação piora (Para os vitivinicultores da Serra Gaúcha, no entanto, a escassez de chuva deve garantir alta qualidade à safra de vinhos). 

Com as mudanças climáticas em nível mundial, mais do que nunca é preciso pensar em estratégias de prevenção à estiagem. Em um kibutz no deserto de Negev, em Israel, ouvi de um agricultor uma frase que nunca esqueci: “Não se pode fazer agricultura profissional sem irrigação”. Embora tenhamos um regime hídrico incomparavelmente mais generoso que o de Israel, o recado vale para nós também.       

                                              

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OLIVOTURISMO, POR QUE NÃO?

Aberta oficialmente no início deste mês, a Colheita da Oliva revelou que o Rio Grande do Sul já possui mais de 3.400 hectares cultivados com oliveiras. De acordo com o Cadastro Olivícola 2017, já são 145 produtores, em 56 municípios, responsáveis pela elaboração de 20 marcas em 8 agroindústrias.

A olivicultura é a nova riqueza do agronegócio gaúcho. Encontra-se, hoje, no mesmo estágio em que estava, há algumas décadas, a vitivinicultura. Cresce em volume de produção e qualidade, e começa a conquistar a simpatia dos consumidores brasileiros. Hora, portanto, de os produtores começarem a pensar em uma alternativa suplementar de receita: o olivoturismo. Que é forte em Portugal, um dos principais produtores mundiais de azeite, por exemplo. Por lá, há pacotes turísticos para receber visitantes interessados na degustação do óleo, tal como fazem, por aqui, as nossas vinícolas com seus vinhos. Aliás, isso já está começando aqui no estado. Em Pinheiro Machado, os olivais da família Batalha receberam cerca de 400 visitantes no ano passado.

 

 

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