Irineu Guarnier Filho

Irineu Guarnier Filho é jornalista especializado em agronegócio e vinhos, atua cobrindo este setor há cerca de 30 anos.

Estímulo à Sucessão Rural

16/03/2018 - Fonte: Portal Adesso

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CRIME ORGANIZADO RECUA

Problema quase tão antigo quanto a atividade agropastoril, o abigeato (e, ultimamente, o roubo de insumos e máquinas agrícolas) causa enormes prejuízos à economia gaúcha, que tem 46% do seu PIB ancorados no agronegócio. Do furto de uma ovelha extraviada, este tipo de crime evoluiu nos últimos anos para a ação de quadrilhas especializadas, que roubam até mil cabeças de gado por ano. Mas nesta semana tivemos uma boa notícia. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado, o número de casos de abigeato nos primeiros dois meses do ano recuou 30,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Isso se deve, principalmente, ao trabalho da força-tarefa da Polícia Civil, que, de um ano e meio para cá, vem desmantelando quadrilhas de abigeatário, com o apoio da Brigada Militar. Mas, também, à colaboração de Sindicatos Rurais com a polícia – inclusive financeira, para manutenção de viaturas e aquisição de combustível. Uma “parceria público privada” que deu certo. Agora, só falta o governo tirar do papel a Delegacia Especializada na Repressão aos Crimes Agropecuários e ao Abigeato, anunciada pelo governador José Ivo Sartori na última Expointer, e que deve ter bases nos municípios de Bagé, Camaquã, Santiago (sedes principais), Cruz Alta e Rosário do Sul.

 

ESTIMULO À SUCESSÃO RURAL

A sucessão rural é, hoje, um dos principais problemas no agronegócio gaúcho. A divisão das terras entre muitos herdeiros e a falta de estímulos aos novos empreendedores fazem com que os jovens deixem o campo para estudar na cidade – e não retornem mais. Mecanização, acesso ao ensino de nível superior e à internet de qualidade podem mudar esse quadro. Mas um instrumento fundamental para isso é o crédito fundiário.

Se os filhos de agricultores tiverem recursos para adquirir terras de vizinhos que estão deixando o campo ou de familiares, e para investir em negócios rentáveis, podem mudar de ideia. Nesse sentido, vale lembrar que, no início deste ano, o limite do crédito fundiário passou de R$ 80 mil para R$ 140 mil. Também houve aumento de limites de renda e patrimônio para acesso de empreendedores rurais ao financiamento. O principal requisito para acessar essa linha de crédito, além do nome limpo na praça, é a apresentação de um projeto economicamente viável. A terra adquirida serve de garantia ao financiamento. Os recursos devem chegar aos bancos oficiais após de 2 de abril, se a burocracia oficial não atrapalhar.

 

VINHO BRASILEIRO NO PERU

A centenária Vinícola Peterlongo, de Garibaldi, já há algum tempo exporta para a China, o Paraguai e a Colômbia, seu principal mercado no exterior. Mas vem ampliando suas vendas na América do Sul, com remessas para o Venezuela e o Equador. Em 2017, exportou mais de 185 mil litros de espumantes, vinhos finos, frisantes, suco de uva e filtrado doce para esses países. E, neste ano, deve chegar também ao Peru – país da moda no mundo da gastronomia.

Sob nova direção há 15 anos, desde que o empresário paulista Luis Carlos Sella adquiriu a empresa da família Peterlongo, a cobiçada vitrine do mercado externo não é uma novidade para a casa: já na década de 1940, o Champagne Peterlongo era comercializado na rede de lojas Macy’s, de Nova York.

 

SETOR VINÍCOLA REAGE

Depois de uma quebra de safra recorde em 2016, o setor vinícola reagiu, e fechou 2017 com crescimento de 5,67% nas vendas no mercado interno. Foram comercializados 363.184.941 litros de vinhos, espumantes, sucos e outros derivados da uva. A reação começou no último trimestre do ano – não por acaso mais ou menos sincronizada com a queda na inflação e a retomada do emprego e do crescimento econômico no país. O destaque foram as vendas de suco de uva que, segundo o Ibravin, cresceram 16%.

 

 

 

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