Irineu Guarnier Filho

Irineu Guarnier Filho é jornalista especializado em agronegócio e vinhos, atua cobrindo este setor há cerca de 30 anos.

Pecuária gaúcha já tem seu observatório

02/04/2018 - Fonte: Portal Adesso

Compartilhe:

    Respeitado produtor de carnes de aves, suínos e ovinos, o Rio Grande do Sul também produz a melhor carne bovina do Brasil, na opinião de especialistas do setor. Matéria-prima do principal prato da culinária gaúcha, o churrasco, essa carne possui textura e sabor incomparáveis com as de outros rebanhos brasileiros. Isso porque o Rio Grande do Sul é um dos poucos estados brasileiros que, em razão de invernos frios e clima mais ameno no verão, abriga em seus campos gado de raças europeias, como Angus, Devon, Charolês ou Limousin (No resto do país, prevalecem as raças zebuínas, Nelore à frente),

     O gado gaúcho é criado a campo, e alimentado apenas com sal e capim, o que confere à carne do chamado “boi verde” qualidades únicas, não encontradas, por exemplo, nas carnes de animais criados em estábulos e nutridos com rações. Além disso, essa carne possui marmoreio (gordura entremeada nas fibras) na medida certa, o que a torna mais macia e saborosa.

     Este produto nobre do agronegócio gaúcho tem agora uma plataforma na internet, criada para centralizar o maior número possível de informações do setor e, com isso, facilitar a tomada de decisões por parte dos agentes envolvidos em sua produção, industrialização, exportação e consumo. O Observatório Gaúcho da Carne (OGC) foi lançado pela Secretaria de Agricultura do Estado no último dia 15, em evento no Palácio Piratini, que reuniu toda a cadeia produtiva da carne.

     A intenção do OGC é reduzir a assimetria de informações no setor. O Observatório não coleta dados, mas conecta grandes volumes de informações homologadas, obtidas de diversas fontes. A ferramenta que reúne o “big data” da pecuária gaúcha está aí. Agora, é preciso que o setor comece a utilizá-la.
                                                                          *
 
GASTRONOMIA COMO EXTENSÃO DO AGRONEGÓPCIO

     A gastronomia – nela incluídas, obviamente, bebidas como o vinho, a cerveja ou o café – é uma extensão do agronegócio. Por trás do vinho icônico, ou do prato do chef estrelado, existe uma legião de produtores rurais garantindo, com seu trabalho anônimo sob o sol ou a chuva, a matéria-prima para os mercados, as cozinhas e as delicatesses.

     Quem frequenta os requintados salões dos melhores restaurantes, ou a fila do buffet “a quilo”, nem sempre sabe de onde vêm os alimentos, e como são produzidos. Mas, na gastronomia, a relação entre campo e cidade é mais íntima do que em qualquer outro segmento da vida moderna. Agricultores, enófilos e foodies, uns não vivem sem os outros – por mais que raramente se encontrem face a face.
 
                                                                       *
 
CADÊ A SIDRA BRASILEIRA?

     O Rio Grande do Sul se alterna com Santa Catarina na liderança do ranking nacional de produtores de maçãs. Curiosamente, estados que produzem tanta maçã não elaboram, em grande escala, uma sidra digna deste nome. Existem algumas poucas marcas regionais, mas a produção nacional é insignificante.

     Em países como Inglaterra, França e Espanha a leve e refrescante sidra é uma bebida muito apreciada – principalmente na companhia de um bom crepe. O Reino Unido consome 850 milhões de litros de sidra por ano. Aqui ao lado, a Argentina bebe 120 milhões de litros.

     Os países que mais produzem maçãs industrializam as frutas que não atingem o tamanho e o formato ideais para a venda in natura. O consumidor brasileiro ainda aceita, com certa resignação, frutas pequenas. Mas o ideal seria que volumes maiores deste tipo de maçã fossem destinados à indústria. Chás, sucos e geleias já conquistaram um bom público. Outra alternativa ainda pouco explorada por aqui seria a transformação da maçã que não é exportada, ou consumida internamente in natura, em sidra. Isso agregaria valor à fruta.
Na Europa, a sidra tem ótima aceitação entre o público jovem.

     Uma boa campanha de marketing poderia reverter a péssima imagem do fermentado de maçã entre os brasileiros (o xarope gaseificado conhecido por aqui nem poderia ser chamado de sidra) e promover o seu consumo entre os apreciadores de bebidas menos alcóolicas. Matéria-prima de qualidade não faltaria.

 

 

 

 

Compartilhe:

deixe seu comentário

Publicidade: