Irineu Guarnier Filho

Irineu Guarnier Filho é jornalista especializado em agronegócio e vinhos, atua cobrindo este setor há cerca de 30 anos.

Guerra comercial beneficia gaúchos

12/04/2018 - Fonte: Portal Adesso

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     Safra cheia e preços bons são uma combinação quase tão rara quanto a passagem de um cometa pelas redondezas da Terra. Exagero à parte, o fato é que, quando esse fenômeno ocorre, os produtores aproveitam para colocar as contas em dia, investir mais na próxima lavoura e, quando sobra algum dinheiro, comprar uma máquina nova.

     A quebra na safra de soja 2017/2018, no Rio Grande do Sul, será menor do que se cogitou inicialmente. A estiagem castigou mais a Metade Sul do estado, onde a produção da oleaginosa não é tão significativa quanto na Metade Norte. No final das contas, o estado deve colher, de acordo com a Emater, 16,9 milhões de toneladas (o recuo será de apenas 1,12%). Não é uma supersafra, mas esse volume deve remunerar bem os agricultores – principalmente por conta de dois fatores que estão ajudando a sustentar os preços: a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, e o dólar em torno de R$ 3,40.

     O consultor de mercado Luiz Fernando Roque, de Safras & Mercado, pondera que a arenga entre China e Estados Unidos, com ameaças recíprocas de taxar importações, beneficia os produtores brasileiros de soja – mesmo que país asiático acabe não taxando a soja norte-americana. O mercado se movimenta também em função de boatos – precificando probabilidades. Como o Brasil é o maior exportador de soja do mundo, e a China é nosso principal importador do grão, se as relações entre as duas superpotências econômicas azedarem ainda mais o Brasil leva alguma vantagem. A China terá de completar o seu abastecimento adquirindo mais soja brasileira. Por outro lado, o dólar relativamente alto em relação ao real ajuda a compensar preços menores na Bolsa de Chicago.

     Diante desse quadro, os produtores gaúchos enfrentam um dilema: vender toda a safra agora ou reter o grão à espera de preços ainda melhores? Como não existe nenhuma garantia de que os preços continuarão subindo indefinidamente, e sempre há a possibilidade de um recuo, a melhor alternativa parece ser a obediência à velha regra de não colocar todos os ovos na mesma cesta. Ou seja: vender escalonadamente a safra, buscando, com isso, a composição de um preço médio que cubra o custo de produção e remunere adequadamente o investimento feito.


O “BOI VERDE” DO PAMPA

     O turista que quiser comer bem no Rio Grande do Sul tem de experimentar a carne bovina gaúcha. Que é, de longe, a melhor do Brasil, e a matéria-prima do prato local mais conhecido: o churrasco. O Rio Grande do Sul é um dos poucos estados brasileiros que, em razão de invernos frios e clima mais ameno no verão, abriga em seus campos gado bovino de raças europeias, como Angus, Devon, Charolês ou Limousin (No resto do país, prevalecem as raças zebuínas, Nelore à frente).

     O gado gaúcho é criado a campo, alimentado apenas com sal e capim, o que confere à carne do chamado "boi verde" textura e sabor inigualáveis, não encontrados nas carnes de animais criados em estábulos e nutridos com rações. Além disso, essa carne possui marmoreio (gordura entremeada nas fibras) na medida certa, o que a torna mais macia e saborosa. Sem bairrismo, pode-se afirmar que a carne bovina gaúcha figura entre as melhores do mundo, ao lado da uruguaia e da argentina. O que nos falta, talvez, seja um bom trabalho de marketing, para tornar este produto mais valorizado nacional e internacionalmente.

 

 

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