Irineu Guarnier Filho

Irineu Guarnier Filho é jornalista especializado em agronegócio e vinhos, atua cobrindo este setor há cerca de 30 anos.

Embargo Europeu preocupa a Avicultura

27/04/2018 - Fonte: Portal Adesso

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     A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) distribuiu nota nessa semana alertando para a possibilidade de desemprego, enxugamento dos volumes de produção e perda de competitividade no setor em razão do embargo a 20 agroindústrias exportadores de carne de frango, anunciado há pouco pela União Europeia.

     Para a Asgav, os impactos na comercialização de carne de frango já estão sendo sentidos pelas empresas. O preço do frango, segundo a Asgav, é o mais baixo dos últimos 12 anos. Com esse quadro de crise agravado pelo impacto causado pela alta no preço do milho, o setor já se prepara para uma “diminuição drástica” na produção – o mercado interno não tem capacidade para absorver os volumes que deixarão de ser exportados.

     Embora a Europa seja muito importante para o setor, que exportou US$ 7,2 bilhões em 2017, os países árabes garantem compras da ordem de US$ 2,6 bilhões – e com os árabes não há nenhum problema. Além disso, a Asgav lembra que as empresas estão prospectando novos mercados no exterior, o que poderá compensar, em parte, os prejuízos com a Europa.

     Seja como for, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, não tem dúvidas de que o embargo europeu é uma decisão mais política do que técnica. Há 40 anos o Brasil exporta carne de frango para a Europa. Nesse período, a tecnologia de produção e os cuidados com sanidade foram sensivelmente aperfeiçoados. Tanto que o Brasil negocia atualmente com quase 160 países. Por que, então, somente a União Europeia se sentiria ameaçada pela qualidade do produto brasileiro? A pergunta que Turra deixa no ar é a seguinte: se a Europa não comprar carne de frango do Brasil, que é o maior exportador mundial, vai comprar de quem?

 

STF LIBERA EXPORTAÇÃO DE GADO VIVO POR SANTOS

     O Supremo Tribunal Federal (STF) jogou um balde água fria na pretensão de supostos defensores do bem-estar animal de impedir a exportação de gado vivo pelo porto de Santos, em São Paulo. O ministro Edson Fachin tornou inválida e lei municipal que proíbe operações com cargas vivas no porto da cidade. A Prefeitura de Santos divulgou, no entanto, que vai recorrer da decisão – liminar – do STF.

     É um direito que lhe cabe. Mas dificilmente a vontade de militantes, vereadores e da prefeitura de Santos irá se sobrepujar ao entendimento da mais alta corte do país numa questão que é, acima das supostas boas intenções dos envolvidos, uma opção de livre comércio dos produtores rurais.

     O assunto ganhou manchetes depois que 20 mil bois foram embarcados em um navio pelo porto de Santos, com destino à Turquia. Houve denúncias de maus-tratos aos animais. Entretanto, uma vistoria da Vigilância Agropecuária não constatou as irregularidades denunciadas pelos “ativistas” da causa animal. Entidades de defesa dos produtores, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), comemoraram a decisão – que traz segurança jurídica para as embarques em Santos.

     A exportação de gado em pé não é, obviamente, a melhor alternativa para o país. Sempre é melhor que os animais sejam abatidos aqui, e que a carne só seja exportada depois de processada. Com isso, preservam-se empregos, tributos e valor agregado. Mas, quando o mercado interno está fraco, essa é uma opção que não pode ser negada aos produtores rurais – desde, é claro, que cuidados com o bem-estar animal sejam observados pelos transportadores. O Estado já se intromete demais nos negócios da iniciativa privada. Além disso, a medida é inócua. Isso porque, caso o porto de Santos venha a ser interditado para o embarque de carga viva, outros portos brasileiros farão o serviço. Aqui mesmo, do porto de Rio Grande, já saiu muito boi vivo para o Oriente Médio.

 

 

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