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Persona:Tarcísio Michelon, o turismo que escorre em suas veias

11/03/2017 - Fonte: Portal Adesso - Fotos: Flávio Antônio Ballejo

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     O espaço Persona desta semana, traz um dos maiores incentivadores do turismo na região serrana. Empresário do ramo turístico, Tarcísio é proprietário de uma rede de hotéis em Bento Gonçalves. Personalidade conceituada na região, Michelon é um homem simples e dedicado nos negócios. Nesta entrevista ele conta sobre sua vida e da sua paixão que é o turismo.

     “Eu nasci dentro de um hotel aqui em Bento Gonçalves, chamado Hotel Bela Vista,  no final dos tempos áureos, em que o turismo aqui na região da uva e do vinho, mais especificamente em Bento, era uma atividade muito importante e que liderava o ranking do Estado do Rio Grande do Sul, uma vez que não existiam estradas para as praias, então o turismo acontecia em sua grande maioria aqui na região”, contou iniciando a conversa.

     Ele contou ainda que é o o filho mais novo de Antônio e Josefina Cassol Michelon, de uma família de oito irmãos, quatro homens e quatro mulheres, os pais eram agricultores. “Meu pai tinha definido que os filhos tinham que fazer um curso depois do ginásio, porque no tempo em que ele estava na colônia, propôs ao seu pai, meu avô, estudar no Colégio Santo Antônio em Garibaldi, mas devido aos gastos, isso foi negado e isso marcou muito meu pai, por este motivo, dar educação aos filhos era meta de meu falecido pai”, falou Tarciso.

     Ele comenta também que quando chegou sua vez de estudar, ser guarda livros era um oficia que estava saturado no mercado, e alertado por um dos seus irmãos (Claudio), falecido recentemente, foi motivado em fazer o curso cientifico e não mais o curso de contabilidade, pra depois prestar vestibular e cursar engenharia mecânica, o que efetivamente fez, formando-se em uma universidade Federal no ano de 1971.

     Deste ponto em diante, suas atividades foram em uma multinacional Italiana, chamada ”Coenza”, empresa trazida ao Rio Grande do Sul, pelo então  governador Leonel Brizola. Eles fabricavam turbinas, geradores e centrais termelétricas. Lá permaneceu até novembro do ano de 1980, onde adquiriu muitas coisas do aspecto cultural, pela convivência com os Italianos. “Uma delas e que me marcou muito, nenhum deles me perguntou que carro eu tinha, eles me perguntavam, que livro você estás lendo?”. Fui desta forma, adquirindo outros valores, valores que já vinham da Europa bem atualizado.

     Os pais eram naturais do interior de Caxias do Sul, localidade de São Luiz da 9ª Légua, na divisa com Flores da Cunha. Eram de uma família vinda da região de Beluno, região das Dolomitas na Itália. Com objetivo de dar estudo aos filhos, se mudaram para a cidade de Bento Gonçalves, onde no ano de 1944, compraram um Hotel, que ficava próximo aos colégios das freiras “Medianeira”  e dos irmãos Maristas “Aparecida”, para justamente das estudos aos filhos. “Meu pai foi um homem extraordinário, juntamente com minha grande mãe”, comenta.

     Nativo de Bento Gonçalves, Tarcisio Michelon conta que em 1980, retornou a serra. “Na época o meu sogro, o senhor Dallonder, comprou um hotel, chamado Atlântida, um espaço de dois mil metros quadrados e que hoje é o Dallonder Grande Hotel”, destaca ele, comentando que hoje está entre os três grandes do Estado do Rio Grande do Sul (Serrano, São Rafael e Dallonder). Quando retornou para a região retomou uma vocação, pois nas décadas de 20, 30, 40 e até 50, Bento Possuía mais de quinze hotéis.Michelon também abriu seu coração e contou sobre o período em que foi presidente de uma das maiores festado do país, a Fenavinho.

     Ele lamenta que tenha buscado unir o evento a cultura, mas que infelizmente, por forças ocultas da região não foram compreendidas. “Colocaram a cima do produto vinho, como aspecto cultural alguns interesses menores, pela pobreza cultural, não da cultura Italiana, mas das pessoas que não entenderam o processo.

     “A Fenavinho de 2007 e 2009, fizemos os mais belos espetáculos sobe o vinho, jamais pensados em todas as festas de nossa região”, comenta. Em 2007 abordava a história do vinho no mundo e em 2009 a cultura do vinho no mundo, mas com ênfase especial ao desenvolvimento da cultura na região, com projetos com gastos de um milhão e meio de reais, trouxemos artistas para montagem de alegorias e fizemos um espetáculo internacional, inspirado na festa Dela Vendemia, de Mendoça na Argentina. Ele cometa que de coração partido, viu ser enterrado este projeto. “A gente tem este grito na garganta e que vamos levar junto para o túmulo, porque isso não poderia ser feito. A mais cultural de todas as festas na nossa região, foi banida por interesses políticos e de forças ocultas”

     Deixando de lado um pouco das magoas e da questão empresarial, Michelon comenta que aos 68 anos de idade, diariamente pratica duas horas atividades físicas em piscina e academia. “ A gente tem tantos projetos que queremos viver muito, eu começo meu dia das 7h ás 9h, dedicando a cuidas da minha saúde, essa é uma rotina que não abro mão. “Estou no período de minha vida mais produtivo e mais feliz, alegre e criando coisas”, relata.

     Ele tem três filhos, dois homens que são engenheiros e uma mulher que é administradora de empresas. Defendendo que não basta botar filhos no mundo, mas oferecer empregos para que eles não tenham que partir e fazer mais uma imigração, os filhos trabalham com o pai. “Eu só tenho alegrias, porque está tudo em família”, diz.

     Tarcísio que é apaixonado por Teatro, criou o Instituto Tarcísio Michelon, onde crianças e adolescentes participam de atividades de música, tendo formado um coral e uma orquestra filarmônica. Os trabalhos iniciaram a quase uma década, em espaço dentro do próprio Hotel Dallonder. Apaixonado pela culinária, bons pratos italianos, Tarcísio preza pelos cuidados com a gula. “Na alimentação tenho cuidado especial, a gente dá preferência pra legumes, verduras e peixe, sem excesso de gorduras e massas, algo que gosto muito mas é lá de vez em quando”, relata.

     No final de semana, gosta de estar na convivência familiar, filhos e netos. “ O importante é ver este crescimento, tenho cinco netos e estão me devendo um, tem que ser seis, dois de cada filho”, relata bem humorado Tarciso. “A família é tudo em nossa vida”, finaliza ele.

 

 

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