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Vinho e marketing, uma "harmonização" tímida

11/02/2016 Portal Adesso

     Para quem busca democratização e reconhecimento, o vinho definitivamente é muito tímido. Quando foi a última vez que vimos um comercial de uma marca de vinho na TV ou na grande mídia em geral? Enquanto empresas de bebidas como cerveja e vodka, brigam pela visibilidade cada vez maior nos diferentes espaços publicitários, sejam eles voltados para um nicho ou para o público de massa, o mercado de vinhos reluta em apostar em estratégias que fujam do conservadorismo e do seu público tradicional quando se trata de tornar seu produto mais conhecido.

     Esse não é um problema exclusivamente brasileiro. Em alguns países da Europa, como Itália, Espanha e Portugal o vinho também não está tão presente na mídia de massa. A diferença é que por lá já existe, há gerações, a cultura de consumir a bebida, enquanto no Brasil o consumo de vinho ainda é muito baixo.

     Essa relutância em apostar numa comunicação mais abrangente é, no mínimo, contraditória, tendo em vista o interesse das vinícolas em aumentar a venda de seus produtos no país. Atualmente, a mentalidade ainda é de que o vinho não é uma bebida para todos, agrada apenas a um nicho, portanto a comunicação deve ser apenas com este nicho. Porém, existem vinhos de todos os tipos e preços, dos mais simples para os mais complexos e sofisticados, o que serve para atender públicos completamente diferentes. Talvez devamos apostar numa estratégia de marketing mais eficaz, que fale diretamente com esse público que pode se sentir intimidado ou nem conhecer a bebida direito?

     Somos bombardeados o tempo todo com marcas de cerveja onde quer que vamos. Na TV, nas revistas, nos jornais, nos grandes e pequenos eventos, nos pontos de venda, na internet...enquanto isso, o vinho se mantém isolado em publicações especializadas e ações regionais.

     Nem sempre as mídias de massa são o melhor caminho para qualquer produto. Mas no caso do vinho, que luta para se tornar mais aceito no país, esta estratégia poderia ter sentido. Mas não deveria parar por aí. Produtores e distribuidores patrocinando grandes eventos musicais e esportivos, colocando as marcas e o produto em contato direto com um público mais jovem e tipicamente formador de opinião, traria visibilidade por parte de potenciais consumidores que talvez não dariam atenção ao vinho de outra forma. Vamos colocar o vinho nas casas noturnas, nas grandes baladas, com uma garrafa especial, que fale diretamente com este público, mais ligado a modernidade e identidade visual.

     Com a internet, hoje são quase infinitas as possibilidades de levar sua marca a um determinado grupo. A tecnologia deve ser uma aliada e não um inimigo.

     O mercado de vinhos é restrito pois se restringe. Falta ambição em conquistar novos consumidores. Parece que as estratégias são sempre voltadas para fazer o consumo aumentar dentro do público que já foi conquistado, enquanto a indústria poderia evoluir muito mais buscando novos apreciadores. Sem dúvida existe um medo ou até um certo preconceito em tornar o vinho mais divulgado, mas isso não passa de uma mentalidade conservadora e até discriminatória.

 

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