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O fenômeno chamado Jair Messias Bolsonaro

24/10/2018 Portal Adesso
Daniel Carniel
Daniel Carniel

     Candidato do PSL é o maior fenômeno da política após as Diretas nos anos 80. Situação atual do Brasil, contribui para o fortalecimento desta simbologia.

     Antes que você pense que estamos fazendo campanha política para candidato à presidência, peço que leia o texto até o fim, e só depois tire suas conclusões.

     Nos últimos dias, uma série de fatos e acontecimentos me fizeram despertar para escrever sobre o tema. O país está em ebulição e as brigas e discussões por causa da política, estão cada vez mais acirradas. A modernidade e a evolução das redes sociais, deram velocidade as notícias e ao mesmo tempo, tiraram a timidez e a falta de coragem das pessoas se manifestarem. O resultado desta “liberdade” nem sempre é positivo, e muitas amizades estão sendo desfeitas pelo clima de animosidade de ambos os lados.

     Tancredo Neves, o primeiro presidente eleito (não pelo voto popular) após o período militar, teve grande consagração popular. Embora tenha falecido antes de assumir o cargo, até hoje é lembrado. Fernando Collor eleito em 1989 como o “Caçador de Marajás” também teve forte apelo popular e se elegeu com uma excelente votação, contrariado vários prognósticos políticos. Porém, seu mandato durou apenas dois anos, e em 1992 foi cassado.

     Após a era Collor, o país teve outros presidentes, mas nenhum outro foi tão popular quanto Luis Inácio Lula da Silva, o Lula. Eleito pela primeira vez em 2002, representando o Partido dos Trabalhadores – PT, chegou ao poder depois de três tentativas, e se consagrou popularmente se reelegendo e elegendo sua sucessora. Gostando ou não, é inegável o papel que Lula exerceu como líder e mesmo preso, exerce sobre os partidos de esquerda.

     Analisando a história política brasileira, da democratização para cá, não existiu fenômeno igual a Jair Messias Bolsonaro. Nem Lula provocou tantas reações e mudanças no cenário político como Bolsonaro. Não cabe a mim, avaliar se isso é bom ou ruim para o país, mas esta “explosão” política, não pode passar despercebida.

     Ainda não cheguei aos 40 anos, mas por gostar de política e me interessar por história, venho acompanhando a quase duas décadas as eleições, tanto as municipais, quanto a presidencial.

    Nunca vi algo igual ao “fenômeno Bolsonaro”. Fim de semana passado, me admirei vendo ambulantes vendendo camisetas, bandeiras e souvenir de Jair Bolsonaro em Porto Alegre. Isso não é comum. O que sempre víamos, eram camisetas de times de futebol, artistas, músicos, mas nunca de um político.

     Outro fato que vale destacar é que muitos eleitores buscam desesperadamente ter o material de Bolsonaro, desde adesivos para colocar em veículos, até santinhos. Tem gente até pagando por isso. O que mais me chamou atenção foi em Garibaldi, onde vi um pedreiro que não conseguiu material de campanha, utilizar fita isolante preta para colocar bem grande nas portas do carro o número de Bolsonaro. No teto, uma bandeira do Brasil.

    Acredito que nem os mais otimistas marqueteiros políticos poderiam sonhar que um candidato em um partido nanico, sem nenhum dinheiro e com apenas 8 segundos de tempo de TV, pudesse virar uma mania nacional, fazendo com que os símbolos do Brasil como a bandeira do país e as cores verde e amarela, colassem de tal maneira no candidato, que passaram a fazer parte da campanha.

     Não acho que Bolsonaro seja a solução para o país, nem que será o salvador da Pátria. Mas não posso deixar de perceber que ele é sim um Mito político, que trouxe de volta o patriotismo aos brasileiros e também provocou grandes mudanças na velha maneira de fazer política. Na próxima eleição, muito será diferente.

     Os grandes responsáveis pela ascensão do candidato de extrema direita é a esquerda, que insiste em não assumir seus erros e não percebe que o povo não é cego e não pode ser tratado como gado, que segue para o abate não percebendo seu fim.

 

 

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