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Um olhar para saúde mental no Feliz Natal

19/12/2018 Portal Adesso

     Em meados do Século IV, o 25 de Dezembro foi designado como Natal! Uma comemoração Cristã, que em sua origem religiosa, nos fala do nascimento do menino Jesus, filho de Deus, que habitou a terra para salvação da humanidade. Com o passar dos anos desta tradição, percebemos o vivenciar além do nascimento desta individualidade. Surge o consumismo por presentes, e um desgastante aumento do contato com ganhos, vitórias e frustrações acumuladas durante o ano todo, ou ainda, um visceral vivenciar para com o que é real, e o que é fantasiado como uma necessidade a ser vivida.

     Nascem as indagações. Se eu não vivo o que eu acredito que é esperado de mim, se eu não compreendo quem eu sou, o que, e quem eu experencio, como olhar para o futuro? Como se faz para lidar com um momento onde nos é gritado a todo instante que, como nos diz o comercial, que “um novo dia, de um novo tempo começou”? Se eu não desejo esse novo dia, se eu não sei como lidar com esse novo tempo? E se as brigas em família se tornam maiores do que este motivo festivo que o meu entorno tanto se engaja?

     A psicanálise aparece para nos ajudar a entender que as brigas, a desmotivação e a introspecção não são fruto do mero acaso, e muito menos do pobre Natal, ou do Papai-Noel. Acontece que, como nos fala a autora Melanie Klein, há sentimentos como a inveja, que nascem e surgem ainda no despertar da vida psíquica, enquanto bebê. E outros como a gratidão, que é desperto após uma longa caminhada no processo do desenvolvimento emocional.

     O Natal, que fatidicamente acusamos ser o gerador de diversos mal-estares, na verdade, é apenas um mobilizador destas individualidades. Nesta época encerramos ciclos, fazemos festas de empresas, festas em casa, com amigos, e outros nem tão amigos assim. E então, sentimentos como inveja e ingratidão surgem de forma velada ao discutirmos com o companheiro o motivo de passarmos mais tempo na casa de sua mãe do que da nossa, ou ao nos queixarmos sobre presenças e ausências em dias festivos, ou a recordar pessoas que se foram, partiram, nos deixaram ou perdemos o contato.

     E desta forma, adentramos para o entendimento de que festas de final de ano, e o Natal não são tristes e nem felizes. Depende de cada um, de como a pessoa se propõe em viver este momento.  Depende do quanto se conseguirá lidar com sentimentos destrutivos, e os tornar construtos de “um novo tempo, que começou há muito tempo”.

     É natural e saudável sentir tristeza. O que não é saudável é quando a tristeza passa a predominar a mente da pessoa. Então, que possamos compreender que a infância já passou, não volta mais; que o sentimento de perda de um ente querido pode ser amenizado pelo calor humano de outros entes queridos. Cuidemos para não radicalizar em propostas de mudanças para depois do então profético dia 31. Assim, diminuímos frustrações e aumentamos a autoestima, para ter uma Feliz Saúde Mental. Com este cuidado, o Natal poderá (re)nascer, e a parte do Feliz, conseguirá ser uma consequência de uma vida mais justa e próspera em todos os meses do ano.

 

Débora Cipriani

Psicóloga

CRP: 07/ 24697

 

 

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Semanalmente, um psicólogo associado da Ser-PSI escreve abordando um tema relevante. A Ser-PSI, é uma associação formada por profissionais e estudantes de psicologia, das cidades de Carlos Barbosa e Garibaldi. Fundada em 2008, o grupo atua na integração dos profissionais, promovendo estudo e pesquisa, além de voltar-se à integração com estudantes e a comunidade.

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