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Transtorno do Espectro Autista

08/04/2019 SERPSI

     Abril é o mês da conscientização sobre o autismo ou TEA (Transtorno do Espectro Autista), o transtorno refere-se a uma condição especificamente humana caracterizada por causar prejuízos no desenvolvimento de habilidades sociais, na comunicação, na cognição da criança com o aparecimento dos sintomas ainda nos primeiros anos de vida, sendo estes frequentemente confundidos com birra, desinteresse ou falta de educação pela população leiga. 

     Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima-se que existam 70 milhões de pessoas com autismo no mundo. Enquanto no Brasil, a estimativa é de que 2 milhões de pessoas possuam algum grau do transtorno, podendo variar de graus mais leves a mais graves. O mês da consciência autista nos lembra o quanto é importante investir em pesquisas, uma vez que o autismo se apresenta de diversas formas compreendendo um universo de possibilidades sintomatológicas, onde cada caso apresenta particularidades que requerem cuidados e intervenções individualizadas. 

     Não se sabe exatamente as causas do autismo, entretanto podemos listar diversos fatores de risco que aparentemente podem favorecer o desenvolvimento dessas condições comportamentais, incluindo fatores genéticos e ambientais. No que tange a primeira podemos citar como exemplo crianças com algumas doenças de origem genética como a síndrome de down ou síndrome do X frágil apresentam maior chance de também desenvolver o autismo. Já os fatores ambientais referem-se ao cérebro em desenvolvimento durante o período gestacional. Nesse caso, doenças congênitas, como rubéola, encefalites, meningites, uso de drogas, má nutrição materna, dentre outros fatores podem produzir alterações de estruturas cerebrais, ou alterar fatores imunológicos e bioquímicos, predispondo e até mesmo desencadeando o comportamento autista.

     Uma vez feito o diagnóstico, é importante que as crianças com autismo, e suas famílias recebam informações que as ajudem a entender e a lidar com o transtorno, assim como serviços, referências e apoio prático de acordo com as necessidades de cada portador. O TEA não é um transtorno passível de cura, porém intervenções psicossociais baseadas em evidências, como o tratamento comportamental e programas de treinamento de habilidades para pais e outros cuidadores reduzem as dificuldades no manejo, de comunicação e comportamento social, com resultados positivos embasados no bem-estar e qualidade de vida do indivíduo.  

     Cabe ressaltar que o tratamento do autismo é difícil e tem muitas peculiaridades, as dificuldades relacionadas aos casos iniciam logo nos primeiros anos de vida, uma vez que os indícios ou traços de que algo não vai bem são pouco percebidos ou valorizados pelos clínicos. As necessidades de cuidados de saúde dos pacientes com TEA são complexas e requerem que seja multiprofissional, englobando profissionais de diversas áreas como a psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicomotricidade e orientação familiar, podendo ainda haver ou não o uso de medicamentos, conforme os sintomas apresentados por cada sujeito.  


Referências


JERUSALINSKY, A.; FENDRIK, S. (Org). O livro negro da Psicopatologia Contemporânea. São Paulo: Via Lettera, 2011, 280 p.

JERUSALINSKY, A. (Org). Dossiê Autismo. 1. ed. São Paulo: Instituto Language, 2015, 480 p.

ORRÚ, S. E. Autismo: o que os pais devem saber?. Rio de Janeiro: Walk, 2009.


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Semanalmente, um psicólogo associado da Ser-PSI escreve abordando um tema relevante. A Ser-PSI, é uma associação formada por profissionais e estudantes de psicologia, das cidades de Carlos Barbosa e Garibaldi. Fundada em 2008, o grupo atua na integração dos profissionais, promovendo estudo e pesquisa, além de voltar-se à integração com estudantes e a comunidade.

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