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Atitude Positiva

Sinais de Mudança
08/04/2019 Renato Martins

     Tenho observado um movimento lento e gradual na mídia brasileira, de abrir espaço para contar histórias mais positivas. Em meio à pauta saturada do sensacionalismo, da carnavalização da notícia e da exploração cansativa das tragédias, nascem pequenos oásis de temas mais nobres, edificantes e transformadores.

     Sempre enxergo isso através de dois ângulos: primeiro, a imprensa tradicional – rádio, televisão, jornais – está se dando conta que não são mais os canais de informação preferidos de uma nova geração de leitores, ouvintes e telespectadores. A sociedade descobriu na internet e nas redes sociais um gigantesco mundo de conteúdos aproveitáveis, produzido por todos nós, cidadãos comuns, que temos em nossos perfis de Facebook, Instagram, Linkedin, YouTube e Twitter (só pra citar os principais) o poder de transmitir informação 24 horas por dia para diversos tipos de público. Os mais jovens já se alimentam disso, e mais o Netflix, Globoplay, Amazon e todos os novos serviços de streaming que estão chegando em nossas casas, sem precisar de um canal comum de televisão, como a Globo, SBT, Band ou Record, por exemplo. Portanto, nós somos curadores das nossas próprias notícias. Nós escolhemos o tipo de informação que queremos receber e impactar em nossas vidas. Talvez esse seja o grande sinal para os veículos formais de comunicação se reinventarem.

     Segundo ponto: os jornalistas estão se dando conta que seu papel é muito mais amplo do que aquele que aprendemos na faculdade desde os anos 70. Na época da ditadura a imprensa era a única voz que denunciava a censura, a tortura e todos os podres da máquina pública brasileira. Mas o tempo passou e hoje os crimes de corrupção, discriminação e tantos outros que deterioram a sociedade são expostos através de qualquer canal. Sites de transparência, canais de investigação, redes sociais, qualquer pessoa consegue usar a sua influência ou audiência no mundo digital para apontar o que está errado – e quase sempre atinge o objetivo de chamar a atenção e provocar a solução do problema.

     Tenho repetido em minhas palestras, artigos e comentários na Rádio Clube FM que os profissionais formados em comunicação social têm esquecido o “social” da seu diploma. Há um comprometimento nesse ofício dos comunicadores de provocarem algum tipo de melhoria social - e eu me pergunto sempre: qual é a contribuição que podemos dar nesse processo de transformação? Incentivar e executar uma pauta mais nobre, quem sabe, pode ser um grande começo. 



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Renato Martins

Renato Martins

Jornalista, palestrante, professor, gestor, músico e escritor, Renato Martins, completa em 2019, 35 anos de carreira. Ele atuou no Grupo Bandeirantes por 16 anos, onde foi diretor de jornalismo, FM Cultura, da extinta Fundação Piratini, Rádio Gaúcha, Rádio Eldorado - SC, Rádio Atlântida e RBS TV. O jornalista também trabalhou no Jornal do Comércio e apresentava programa na Band News FM de Porto Alegre. Após um ano como diretor de Comunicação da Prefeitura de Gramado, Renato Martins resolveu se dedicar a palestras e cursos de comunicação positiva. É professor na pós-graduação da UCS, em Canela, e apresentador e comentarista na rádio Clube FM, de Canela. Ele mantem o blog Atitude Positiva: https://renatomartinsprofi.wixsite.com/palestras
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