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Nós fomos pescar mosquitos!

Por Silvestre Santos
15/06/2022

   Lembrei desse episódio nesta semana, depois que um amigo do fêisse postou algo sobre acampar...

   Aconteceu comigo quando ainda trabalhava no Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul. Alguns colegas, entre eles Ubiratan Mostardeiro, Nei Zanenga e Sidnei Costa, inventaram de organizar uma pescaria na Barragem do Capané. É um reservatório gigante que se destina à irrigação das lavouras de arroz que ficam abaixo dela, em direção ao Rio Jacuí.

   Chegou o dia. Check list: Espetos? ok.  Carnes? ok! Cervejas? ok! Outros tragos? Ok! Apetrechos para pescaria? ok!

   À tardinha, acho que aquilo era um sábado de verão, nos dirigimos à tal pescaria. O Eládio Vieira da Cunha, ainda diretor comercial do JP, tinha um Passat. Eu acho que fui cojm um carro do jornal e outros colegas foram em pelo menos mais dois veículos.

   Nunca fui muito íntimo de linhas, anzóis, redes, espinhéis, embora quando guri, em Cerro Branco, era craque em pescar lambaris... Por isso fui nomeado "fazedor" de caipirinhas e preparar os espetos, a carne, e dar andamento à carnificina. Enquanto isso uns atiravam anzóis e outros entravam pela barrarem espichando espinhéis.

   Lá pelas tantas, comilança acabada, beberagem em andamento, nos demos conta que teríamos que dormir ao relento ou dentro dos carros.  Só que havia um inconveniente.

   Era tanto mosquito na beira d'água, mas tanto, que já tinha gente levitando, carregado por aqueles monstros que pareciam sanguessugas voadoras. Mas o que não faz o álcool, né? Teve gente que nem deu bola para a mosquitada. Eu, mais ou menos com os pés molhados, me atirei dentro de um dos carros. Sou que no estava, até então, com vidros abertos. Ou seja, acabei sendo vitimado e perdi, com certeza, alguns litros de sangue misturados com cerveja.

   No outro dia, cedo, preparando para voltar para casa, a turma dos anzóis reclamava que não tinha dado peixe. E a turma dos espinhéis se foi à água para recolher os frutos da pescaria...

   Meu Deus.  Uma... Uma mísera traíra. Só uminha, e nada mais...

   E todo mundo com jeito de quem tinha contraído sarampo e em menos de 12 horas a doença tinha eclodido na pele da gente. Literalmente virado em picada de mosquitos.  O único consolo é que comemos e bebemos bem. Mas que pagamos nossos pecados, ah, pagamos!

   Com esta trágica e épica epopeia em busca de peixes, nunca mais acampei. Houve vezes em que até fui convidado, mas solenemente agradeci.   Vai que tenha mosquitos, né?

   Depois dessa, para o mundo que eu quero descer. Aproveita, por favor, e me corta os tubos!

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