Justiça decreta falência da Ditália Móveis e grupo tenta reverter decisão
Depois de mais de três décadas de história no polo moveleiro, o Grupo Ditália teve a falência decretada pela Justiça após os credores rejeitarem o plano de recuperação judicial apresentado pela empresa. A decisão representa um novo capítulo na crise enfrentada pela fabricante de móveis, que acumula uma dívida estimada em R$ 85 milhões, mas ainda mantém as operações em funcionamento enquanto ocorre o processo de venda dos ativos.
A decisão foi proferida pelo juiz André Dal Soglio Coelho, após a assembleia de credores rejeitar o plano de reestruturação financeira. Segundo o magistrado, os próprios credores também recusaram a possibilidade de apresentação de uma nova proposta, encerrando as alternativas previstas no processo de recuperação judicial. Na tentativa de evitar a quebra, o grupo solicitou a aplicação do chamado cram down, mecanismo previsto na legislação que permite ao juiz aprovar um plano mesmo sem a aprovação da assembleia de credores em situações específicas. No entanto, o entendimento foi de que os requisitos legais para essa medida não estavam presentes.
A defesa do Grupo Ditália informou que recorrerá da decisão judicial. O advogado Thiago Crippa Rey sustenta que houve o que classificou como uma "irracionalidade econômica" na votação dos trabalhadores, uma das classes de credores. Segundo ele, mais de 60% dos credores de todas as categorias já haviam recebido seus créditos à vista e sem qualquer desconto, o que, na avaliação da empresa, demonstraria a viabilidade da continuidade da recuperação judicial. A expectativa da defesa é reverter a decisão nas instâncias superiores e manter o processo de reestruturação.
Apesar da decretação da falência, a fabricante não encerrará imediatamente suas atividades. O administrador judicial da massa falida, Augusto Moreira Neto, informou que o objetivo é vender toda a operação em funcionamento, por meio de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI). Nesse modelo, o futuro comprador poderá assumir a estrutura industrial já em atividade, preservando clientes, contratos, equipamentos e parte dos postos de trabalho.
Atualmente, segundo o administrador judicial, os salários dos funcionários e os pagamentos aos fornecedores seguem sendo realizados normalmente, permitindo a continuidade da produção durante o processo. Os interessados em adquirir a operação poderão apresentar propostas até 30 de setembro. Caso apenas uma oferta seja formalizada, a venda ocorrerá de forma direta. Se houver mais de um interessado, será realizado um leilão judicial para definir o novo controlador da empresa.
Fundado em 1990, em Bento Gonçalves, o Grupo Ditália iniciou suas atividades produzindo estofados em uma pequena sala de aproximadamente 70 metros quadrados. Com o crescimento da marca, a fábrica foi transferida para Monte Belo do Sul, tornando-se uma das empresas tradicionais do setor moveleiro da Serra Gaúcha. No auge da operação, a empresa chegou a empregar cerca de 600 trabalhadores. Com a expansão, a fábrica foi para Monte Belo Sul. Hoje, mantém 101 funcionários, que continuam desempenhando suas atividades enquanto a Justiça conduz o processo de alienação da companhia.
A expectativa agora é que a venda da operação permita a continuidade da produção e preserve parte da tradição construída ao longo de mais de 35 anos por uma das fabricantes de móveis mais conhecidas da região.
