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Super El Niño faz Vinícola Garibaldi intensificar ações para proteger a safra

Equipe técnica reforça orientações aos produtores para reduzir riscos caso o excesso de chuva
28/07/2026 Em Garibaldi
Portal Adesso - Foto: César Silvestro

     A possibilidade de um Super El Niño voltar a influenciar o clima nos próximos meses já acendeu o sinal de alerta no setor vitivinícola da Serra Gaúcha. Diante das previsões que indicam um período de chuvas acima da média justamente em uma das fases mais importantes do desenvolvimento das videiras, a Cooperativa Vinícola Garibaldi decidiu antecipar estratégias e intensificar o acompanhamento técnico aos produtores para proteger a próxima safra.

     Embora ainda exista divergência entre os modelos meteorológicos sobre a intensidade do fenômeno, a cooperativa optou por agir de forma preventiva. O foco é preparar os vinhedos para enfrentar diferentes cenários climáticos e reduzir ao máximo os impactos que um eventual excesso de chuva pode causar tanto na quantidade quanto na qualidade das uvas.

     Segundo o gerente agrícola da Cooperativa Vinícola Garibaldi, Evandro Bosa, o trabalho começa muito antes do início do ciclo produtivo. Ainda na fase de planejamento da safra, os produtores recebem orientações sobre a escolha dos insumos mais adequados para cada cenário climático. Em caso de maior umidade, por exemplo, a recomendação é utilizar produtos de ação sistêmica, que oferecem proteção mais eficiente durante períodos de chuva. "Claro que, se não conseguirmos pulverizar em função das chuvas, não vamos ter êxito. Nosso trabalho é preparar o produtor para diferentes situações e, se houver um período mais chuvoso, ele já terá as ferramentas necessárias para fazer o manejo adequado", explica Bosa.

     A preparação envolve uma série de medidas que vão além da escolha dos defensivos agrícolas. Técnicos da cooperativa visitam regularmente as propriedades para orientar os cooperados sobre práticas capazes de aumentar a resistência dos vinhedos diante das mudanças climáticas. Entre as recomendações está a manutenção da cobertura vegetal entre as linhas de cultivo, prática que reduz a erosão, melhora a infiltração da água no solo e contribui para preservar a estrutura dos parreirais.

     Outra orientação é manter a condução das videiras de forma mais aberta, favorecendo a circulação do ar entre as plantas e reduzindo a umidade, condição que dificulta o desenvolvimento de doenças. A cooperativa também realiza a regulagem dos pulverizadores utilizados nas propriedades, ajustando vazão, pressão e velocidade para garantir maior eficiência na aplicação dos produtos. "Não basta aplicar o produto correto. É preciso aplicá-lo no momento certo e da forma correta. Esse conjunto de cuidados faz toda a diferença para a sanidade dos vinhedos. Também buscamos evitar desperdícios e minimizar os impactos ao meio ambiente, utilizando apenas a quantidade necessária e com a maior precisão possível", destaca o gerente agrícola.

     Os efeitos de um eventual Super El Niño variam conforme o estágio de desenvolvimento das videiras. Caso as chuvas mais intensas coincidam com o período de floração, entre outubro e novembro, existe o risco de comprometimento da fecundação das flores, reduzindo o volume de uvas produzidas.

     Já durante a fase de maturação e colheita, o excesso de umidade favorece o surgimento de doenças, especialmente a podridão dos cachos, fator que pode comprometer diretamente a qualidade da produção destinada à elaboração de vinhos e espumantes.





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