Nova configuração política em Garibaldi encerra era de barganhas na Câmara de Vereadores
Garibaldi vive um novo momento político, marcado pelo fim de uma prática que por anos travou o avanço de projetos no município: a dependência de votos estratégicos na Câmara de Vereadores em troca de cargos e favores políticos. A atual composição do Legislativo, sem representantes de partidos como PDT e PTB — que em gestões anteriores atuavam como fiel da balança — permitiu ao Executivo maior liberdade para governar, sem a necessidade de composições forçadas ou acordos com viés de barganha. O atual prefeito Sérgio Chesini (PP), que venceu a eleição derrotando o candidato do MDB em todas as urnas, tem a maioria na Câmara formada pelos partidos PP e PL que juntos tem 6 vereadores. Já a oposição formada pelo MDB possui três vereadores.
Durante anos, o desenvolvimento de Garibaldi esteve atrelado à complexa matemática política na Câmara. Partidos que hoje sequer conseguiram eleger vereadores — e que amargaram derrotas expressivas nas urnas — chegaram a dominar decisões importantes no Legislativo local, decidindo votações cruciais conforme sua conveniência e o espaço que conquistavam no governo municipal.
Na gestão do ex-prefeito Antônio Cettolin (MDB), por exemplo, o PTB teve papel decisivo. O então vereador Luiz Flori Castro, o Castrinho, era chamado de "Fiel da Balança", pois com empate no numero de vereadores da situação e oposição, para onde ele pendia, formava a maioria. Com uma bancada dividida, qualquer movimento de Castrinho poderia selar o destino de um projeto. Há relatos de que, em algumas ocasiões, o Executivo precisou abrir as portas da prefeitura até aos domingos para receber eleitores do vereador em reuniões extraordinárias — uma forma velada de manter apoio político do PTB no governo Cettolin.
Cenário semelhante se repetiu na primeira gestão do atual prefeito Sérgio Chesini (PP). Naquele período, o PDT — com o vereador José Bortolini, o Zé da Patrola — também teve papel estratégico. Com quatro vereadores alinhados ao governo e quatro da oposição, o voto do PDT era decisivo. A governabilidade, muitas vezes, dependia da entrega de cargos, atendimento prioritário de pedidos ou outras concessões administrativas para manter a base unida.
Agora, o cenário é outro. O PTB está formalmente extinto no município e o PDT, embora ainda exista, não conquistou sequer uma cadeira na atual legislatura, perdendo o protagonismo que já teve. A nova correlação de forças na Câmara dá ao governo Chesini, reeleito com ampla vantagem, uma base sólida que o desobriga de negociar com partidos que historicamente condicionavam apoio a espaços no governo.
A mudança representa uma ruptura com a política do “toma lá, dá cá”, proporcionando ao Executivo municipal maior autonomia para implantar projetos e políticas públicas com mais celeridade e menos interferência partidária. O que antes era visto como uma rotina de chantagens veladas, hoje dá lugar a uma relação mais transparente entre os poderes.
Garibaldi, enfim, dá um passo firme rumo à maturidade política, deixando para trás os tempos em que pequenas siglas sem representatividade eleitoral decidiam os rumos da cidade — não com base no interesse coletivo, mas em troca de benesses governamentais.
