Promessa atrasada: duplicação da RSC - 453 só deve sair em 2027
A aguardada duplicação da RSC-453, no trecho entre Garibaldi, Bento Gonçalves e Farroupilha, pode ficar só para 2027. A concessionária CSG (Caminhos da Serra Gaúcha) solicitou ao governo do Estado uma prorrogação de 15 meses no cronograma, que previa conclusão até janeiro de 2026. O pedido já causa polêmica: enquanto a empresa alega necessidade de ajustes após as enchentes, o deputado estadual Guilherme Pasin (PP) afirma que a mudança “quebraria a confiança pública”.
O pedido de prorrogação faz parte da repactuação contratual do Bloco 3, vigente desde fevereiro de 2023. Além da duplicação da RSC-453, o pacote incluía a duplicação da ERS-122 (contorno norte de Caxias do Sul). Até agora, apenas frentes pontuais foram abertas, como a ponte sobre o Arroio Tega, mas sem avanço significativo.
Segundo o secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, as tratativas estão em análise técnica e a orientação do governo é de que qualquer extensão seja “a menor possível”. A Agergs deve emitir parecer nos próximos meses. Paralelamente, a CSG apresentou um plano de 13 intervenções preventivas em encostas, orçado em R$ 215 milhões e financiado pelo Fundo Rio Grande (Funrigs). Sete dessas ações já receberam aval do governo; as demais seguem em avaliação. O objetivo é aumentar a resiliência da malha viária frente a eventos climáticos.
O deputado Guilherme Pasin se posicionou contra o adiamento. Em ofício encaminhado ao governador Eduardo Leite, ele pediu o indeferimento do pleito da concessionária e notificou Casa Civil, TCE, Ministério Público de Contas, MP Estadual e Agergs. “É um contrato no terceiro ano de vigência, e a concessionária já pede postergação de entregas. Aceitar o pedido quebraria a confiança pública e prejudicaria o usuário, que pagaria mais por um serviço não realizado”, afirmou o parlamentar.
Pasin ainda alertou para impactos socioeconômicos da demora, como manutenção de gargalos logísticos, risco maior de acidentes e freio ao desenvolvimento regional.
Enquanto o governo analisa a repactuação, outros blocos de concessão também avançam. O Bloco 2 (Vale do Taquari e Norte, com reflexos na Serra) aguarda aprovação do TCE para leilão. Já o Bloco 1 (região Metropolitana e Vale do Sinos), em parceria com o BNDES, deve abrir consulta pública ainda em setembro.
