Servidor da Prefeitura de Bento Gonçalves é apontado em fraude milionária
Um servidor da Prefeitura de Bento Gonçalves está entre os denunciados em uma operação que abalou a política e a administração pública no Rio Grande do Sul. Ele figura em uma lista de 18 investigados acusados de participação em um esquema de manipulação de contratos envolvendo a empresa IPM Sistemas. O caso veio à tona após quase dois anos de apurações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).
Segundo o Ministério Público, a fraude funcionava de forma sofisticada: editais eram redigidos sob medida para impedir a concorrência e garantir que a empresa alvo das investigações vencesse os certames. Em Bento Gonçalves, o contrato firmado previa repasses que chegariam a milhões de reais. As denúncias apresentadas incluem crimes de corrupção, direcionamento de licitações, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. Os investigadores apontam que a movimentação financeira do grupo ultrapassou R$ 6 milhões, revelando a dimensão do esquema.
O promotor responsável pela ação destacou que a ofensiva contou com interceptações telefônicas, quebras de sigilo telemático, coleta de documentos e diligências presenciais. O objetivo, além de responsabilizar criminalmente os envolvidos, é recuperar os valores desviados dos cofres públicos. Embora o núcleo das suspeitas em Bento Gonçalves tenha se concentrado na Secretaria de Administração, ainda não foi esclarecido se o servidor acusado é concursado ou ocupa função de confiança.
A operação, batizada de Cartas Marcadas, não se restringe apenas à Serra Gaúcha: municípios como Sapucaia do Sul, Santana do Livramento, Candelária, Arroio do Tigre e Sapiranga também tiveram contratos suspeitos. Há indícios ainda de que a rede atuava em mais de 70 cidades e se estendia para estados como Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais.
Agora, caberá ao Poder Judiciário decidir se aceita a denúncia e inicia o julgamento dos acusados. Caso isso ocorra, o processo poderá resultar em condenações e em uma cobrança milionária de reparação de danos. Embora o núcleo das suspeitas em Bento Gonçalves tenha se concentrado na Secretaria de Administração, ainda não foi esclarecido se o servidor acusado é concursado ou ocupa função de confiança.
