Obras em casas aos atingidos por enchente em Santa Tereza param de novo
O que era pra ser um sonho de recomeço tem se transformado em um pesadelo de atrasos e frustrações para dezenas de famílias de Santa Tereza, na Serra. A construção das 24 casas populares destinadas a vítimas das enchentes voltou a ser interrompida — pela segunda vez —, reacendendo o medo de que o tão prometido “Natal com casa nova” não saia do papel. A Secretaria Estadual de Habitação e Regularização Fundiária (Sehab) confirmou que rescindiu o contrato com a KMB Construtora e Incorporadora no último dia 10, após constatar descumprimento de prazos e falhas nas adequações do canteiro de obras. A decisão pegou de surpresa moradores e servidores locais, que acompanhavam de perto o andamento dos trabalhos. “As obras estavam lentas, com pouca gente no local. A gente via que não ia dar tempo”, relata uma moradora que aguarda a entrega da nova casa.
Com o rompimento do contrato, o governo estadual convocou a segunda colocada na licitação, a Previbras Soluções Industriais, de Gravataí, que deve assumir o serviço ainda nesta semana. Apesar da troca, a Sehab garante que o prazo de entrega segue mantido para o Natal, conforme prometido em setembro pelo titular da pasta, Carlos Gomes. “Nosso compromisso é com as famílias. As obras serão retomadas de imediato e entregues até o fim do ano”, afirmou Gomes.
Os imóveis, erguidos no Loteamento Stringhini II, têm dois dormitórios, sala e cozinha conjugadas, banheiro e área externa. A construção completa um ano de execução com uma série de atrasos, mudanças de cronograma e expectativa crescente por parte das famílias atingidas. Paralelamente, a Prefeitura de Santa Tereza segue responsável pelos muros de arrimo e serviços complementares da área. Em nota, o município informou que essas etapas estão “em ritmo acelerado” e devem ser finalizadas em dezembro. O investimento total do projeto é de R$ 6,8 milhões, com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Desse montante, R$ 3,3 milhões são destinados à construção das residências e R$ 3,5 milhões repassados ao município para as obras de contenção.
Mesmo com as garantias oficiais, o clima entre os beneficiários é de apreensão. Muitos temem que a promessa de entrega no Natal se transforme em mais uma data frustrada. “A gente só quer ter um teto de novo. Todo mês é uma desculpa diferente”, desabafou uma das famílias atingidas.
