Política

Prefeito de Bento Gonçalves grava vídeo em defesa de exposição na UCS

Diogo afirmou que se a universidade acatar pedido do MPF ele vai manter memorial em espaço público
24/11/2025 Em Bento Gonçalves
NB Notícias

     O prefeito de Bento Gonçalves, Diogo Segabinazzi Siqueira (PSDB), publicou vídeo no qual defende a instalação de um memorial em homenagem ao general Ernesto Geisel, presidente da república entre 1974 e 1979. A gravação, compartilhada em suas redes sociais, foi feita após o Ministério Público Federal (MPF) recomendar o encerramento do Memorial em homenagem à Geisel, que está instalado na biblioteca da UCS no campus de Bento Gonçalves. A posição do político reacendeu o debate sobre o legado controverso de Geisel e a responsabilidade do município em preservar ou criticar esse capítulo da história nacional. Em pouco mais de uma hora, a postagem já tinha mais de 180 comentários.

     No vídeo, o prefeito Siqueira afirma que a homenagem ao ex-presidente “é uma forma de valorizar a história de Bento Gonçalves e um homem que ajudou o país a passar por um processo de transição democrática”. Ele ressalta ainda que Geisel é o único cidadão bento-gonçalvense a chegar à presidência do país. “O que não pode acontecer é uma idolatria de feitos errados ou então tentar apagar a história dessa pessoa”, destacou o prefeito.

    Diogo Siqueira lembra que o memorial fala das conquistas no período do governo Geisel, como a energia limpa com o Pró-Álcool e a construção de novas barragens e hidrelétricas. "Talvez isso sejam pautas progressistas e não de um período que é lembrado como uma ditadura. Como prefeito, é meu dever preservar a história de pessoas importantes principalmente no nosso município. Vou fazer o possível de manter esse memorial em nossa cidade. Precisamos aprender com os erros e acertos ocorridos naquela época", destacou o prefeito.

Presidente Ernesto Geisel

     Ernesto Geisel, natural de Bento Gonçalves, liderou o regime militar brasileiro em seu período de abertura lenta (chamado à época de “distensão”) e é recordado por dois polos distintos. Por um lado, o presidente autorizou o início da abertura política e diversos avanços na matriz energética, como a expansão do programa energético e autonomia brasileira no setor nuclear. Por outro lado, o governo Geisel é alvo de críticas por sua atuação durante a ditadura militar, acusada de autorizar perseguições políticas, prisões arbitrárias e mortes de opositores — investigações apontam ao menos 54 pessoas mortas ou desaparecidas no período.

     A declaração do chefe do Executivo municipal gerou manifestações de apoio e protestos nas redes e na sociedade civil. Enquanto parte da comunidade defende a valorização de uma figura histórica local, grupos de direitos humanos e historiadores alertam para a importância de não ignorar os atos autoritários do regime e a responsabilidade de preservar a memória das vítimas.



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