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Limousine rosa “desaparecida” vira caso de polícia em Garibaldi

Por trás do sumiço, há ameaças, exposição indevida e uma narrativa que pode estar errada
29/12/2025 Em Garibaldi
Portal Adesso - Foto: Guinchos Tingo
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     A história da limousine rosa de aproximadamente oito metros, que ganhou repercussão após ser dada como “desaparecida” ao sair de Canela, está longe de ser simples. O veículo, pertencente a um empresário do Rio de Janeiro, encontra-se atualmente recolhido no depósito do Detran em Garibaldi, enquanto a Polícia Civil e a Justiça apuram o caso. No centro da controvérsia, há indícios de que o proprietário de um guincho da cidade pode ter sido vítima de um golpe aplicado pela internet — e acabou transformado em vilão antes da conclusão das investigações.

     A limousine está no pátio do Detran localizado na Rua Agostinho Carrer, em São Roque Figueira de Mello. Em condições precárias de conservação, a limousine apresenta pintura desgastada, presença de limo no capô — sinal de que ficou parada por longo período — além de problemas internos, como bancos mofados e ausência de peças, incluindo maçaneta.

     O caso ganhou projeção nacional após a publicação de uma reportagem no portal Terra e em reportagem da TV Record com a manchete “Procura-se: Limousine rosa de 8 metros desaparece após sair da Serra Gaúcha”. A matéria apontava que um guincho de Garibaldi teria feito a remoção do veículo. O Guincho que foi contratado por telefone para fazer o transporte do veículo foi o Guinchos Tingo em Garibaldi. 

     Ao PORTAL ADESSO, o proprietário da empresa, Vanderlei Burtuli, conhecido como "Geléia" contou que no dia 16 de dezembro recebeu a solicitação para transportar a limousine, inicialmente com destino ao Rio de Janeiro. Foram apresentados dois orçamentos: um no valor de R$ 1.500,00 para levar o veículo de Canela até Garibaldi, onde seria transferido para uma cegonheira, e outro, de cerca de R$ 14 mil, para o transporte direto até o RJ. Ficou acertado o primeiro trecho, com a informação de que o veículo seria retirado posteriormente.

     Conforme Geléia,  o pagamento não foi efetuado no momento do carregamento e nem após chegar em Garibaldi. Três dias depois, no dia 19, ele passou a receber ligações e mensagens afirmando que um de seus funcionários estaria extorquindo o empresário dono da limusine, com ameaças de incendiar o veículo caso determinados valores não fossem pagos. A situação se agravou quando a CNH e a foto do funcionário começaram a circular por grupos na internet, inclusive em grupos e contatos suspeitos.

     O dono do guincho afirma que as ameaças não partiram de sua empresa nem do colaborador exposto. A imagem do funcionário, segundo ele, foi usada indevidamente — prática comum em golpes, já que é habitual o envio da foto do motorista ao contratante apenas para identificação no momento da remoção do veículo. Diante da repercussão e da exposição indevida, Burtuli acionou seu advogado, registrou boletim de ocorrência e reuniu todas as mensagens recebidas via WhatsApp.

     Depois de todo imbróglio a Polícia Civil de Garibaldi e Carlos Barbosa foram procuradas para registrar Boletim de Ocorrência, onde policiais efetuaram o recolhimento da limousine ao pátio do Detran, sendo que o  veículo permanecerá no local até decisão judicial.

     Do outro lado, o empresário carioca Thiago Neri, dono da Magnatta Limousines, sustenta que vive um “pesadelo” para reaver o veículo, utilizado em eventos como casamentos, festas de 15 anos e produções fotográficas. Ele afirma que a limusine estava alugada para uma empresa da Serra Gaúcha — que, segundo ele, não tem relação com o caso — e que, após um defeito mecânico e dificuldades para manutenção no Sul, decidiu trazê-la de volta ao Rio.

    Thiago relata ter contratado um serviço de guincho com pagamento parcial via Pix, no valor de R$ 3.250,00, com complemento na chegada. Diz ainda que recebeu vídeos do embarque do veículo, uma suposta localização no Paraná e, posteriormente, mensagens com ameaças e pedidos de até R$ 20 mil para liberação da limusine. Após investigações próprias, afirma ter localizado o veículo em Garibaldi.

     O que já é possível afirmar é que a narrativa inicial — que apontava culpados antes da apuração completa — pode não refletir a complexidade do caso. Há fortes indícios de que o proprietário do guincho e seu funcionário tenham sido expostos injustamente, possivelmente em meio a um esquema de fraude virtual ainda sob investigação.

     Enquanto a limousine rosa segue parada no Detran, o caso levanta um alerta: em tempos de golpes digitais sofisticados, nem tudo é o que parece à primeira vista — e a verdade, muitas vezes, demora mais a aparecer do que as manchetes.




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