Política

Venezuelanos que moram em Bento e Garibaldi celebram a queda do ditador Maduro

Refugiados comemoram fim de décadas de crise com o narcogoverno chavista
04/01/2026 Em Bento Gonçalves
Portal Adesso - Foto: Pedro Barbosa/ G1 RR

     Uma onda de comemorações tomou as comunidades de venezuelanos residentes em Garibaldi e Bento Gonçalves neste fim de semana após a confirmação da captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro em uma operação militar coordenada pelos Estados Unidos. Os festejos, marcados por emoção e alívio, evidenciam o impacto profundo que mais de uma década de governo autoritário teve sobre milhões de cidadãos — muitos dos quais foram forçados ao exílio por perseguição, fome e colapso institucional.

     Com o fim do poder chavista na Venezuela, muitos venezuelanos que atuam nas mais diversas áreas nas duas cidades aqui da Serra Gaúcha, já pensam em retornar para seu país natal. “A notícia chegou como uma liberação. Lembro-me dos dias em que nossos filhos não tinham o que comer e vivíamos com medo. Hoje sentimos que algo finalmente mudou”, disse Maria Rodríguez em meio à celebração na pequena casa que mora em Garibaldi.

     Em Bento Gonçalves, famílias de imigrantes venezuelanos ergueram bandeiras e compartilharam histórias de parentes que permaneceram no país por anos em condições precárias e sem perspectiva de mudança. Porém, ainda com medo, eles não quiseram aparecer em fotos e nem mostrar o rosto para a reportagem, pois temem que seus familiares sofram algum tipo de ameaça ou retaliação.

Desintegração do chavismo e êxodo massivo

     O regime iniciado por Hugo Chávez no final dos anos 1990, que se consolidou e se endureceu sob Maduro desde 2013, transformou a Venezuela de uma das economias mais ricas da América Latina em um país marcado por hiperinflação, escassez de bens básicos, repressão política e colapso dos serviços públicos. A deterioração econômica e as violações aos direitos humanos foram amplamente documentadas por organizações internacionais e motivaram uma migração em massa: mais de sete milhões de venezuelanos deixaram o país em busca de sobrevivência e segurança. Em capitais da América Latina, nos Estados Unidos e em diversas cidades europeias, refugiados venezuelanos também foram às ruas para celebrar a detenção de Maduro, lembrando tragédias pessoais e comunitárias — desde a perda de familiares até a ruptura de vidas inteiras. Em 2024, o ditador Maduro e seus apoiadores fraudaram as eleições e se mantiveram no poder. Com a justiça e as forças armadas venezuelana corrupta, ele conseguiu se manter no poder até o presidente Donald Trump ordenar uma operação para prender o ditador sanguinário. 

Contrassenso ideológico: debates sobre ditaduras e a esquerda brasileira

     A reação contrasta com parte do discurso político no Brasil, onde setores da esquerda historicamente criticam a ditadura militar de 1964, mas em vários momentos manifestaram apoio ou simpatia por regimes autoritários de esquerda na América Latina, incluindo o chavista de Nicolás Maduro. Para muitos venezuelanos no exterior, esse posicionamento representa um contrassenso: “É estranho ver crítica a um regime autoritário no Brasil, mas apoio a outro que prendeu opositores e destruiu a economia de um país inteiro”, afirmou um refugiado que mora em Bento Gonçalves.

     Internamente, enquanto Maduro está sob custódia dos EUA, o governo corrupto venezuelano nomeou a vice-presidente Delcy Rodríguez como líder interina, embora autoridades nos Estados Unidos e aliados afirmem que ela carece de legitimidade real diante da detenção do mandatário deposto. 

     Para a comunidade venezuelana em Garibaldi, Bento Gonçalves e outras partes do mundo, a captura de Maduro representa o fechamento de um capítulo doloroso — e a esperança de um futuro em que seus compatriotas possam sonhar com a reconstrução de vidas e a eventual recuperação de sua pátria.

* Foto: Ilustração


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