Polícia

Caso do haras volta ao tribunal: três réus enfrentam júri por tentativa de homicídio

Crime ocorrido em 2021 já resultou em condenação de 45 anos para o proprietário do haras
24/01/2026
Portal Adesso

     Três homens acusados de envolvimento na tentativa de homicídio contra um funcionário de um haras, em Farroupilha, irão a júri popular na próxima terça-feira (27). Os réus Anderson Glock, David Rocha e Fabiano Brum dos Santos respondem pelo crime ocorrido em 9 de agosto de 2021, um dos casos criminais mais graves registrados na região nos últimos anos.

     O processo é um desdobramento do mesmo episódio que levou à condenação do proprietário do haras, Ari Glock Junior, sentenciado em junho de 2025 a 45 anos de prisão. Ele foi considerado culpado por uma série de crimes, entre eles tortura, sequestro, roubo, estupro e tentativa de homicídio triplamente qualificada contra o então funcionário.

     A ação penal passou por cisão processual, o que resultou na separação dos julgamentos. Por esse motivo, Anderson Glock, David Rocha e Fabiano Brum dos Santos não foram julgados junto com Ari Glock Junior e agora respondem individualmente perante o Tribunal do Júri de Farroupilha.

     A defesa dos acusados será realizada pelos advogados Franciele Bau, Saiury Bau, Bianca Bau Porto, Bruno Rafael Reinehr Couto, Leonardo Sagrilo Santiago e Roger de Moraes de Castro. A acusação será conduzida pelo promotor de Justiça Stéfano Lobato Kaltbach, do Ministério Público. O julgamento será presidido pelo juiz Enzo Carlo Di Gesu.

Relembre o caso

    Os fatos ocorreram na localidade de Linha Boêmios, no interior de Farroupilha. Segundo a investigação, o proprietário do haras suspeitava que o funcionário teria cometido furto no local. A partir dessa desconfiança, a vítima foi submetida a sessões de agressões e privação de liberdade, em dois momentos distintos, chegando a ser abandonada em uma via pública e, posteriormente, levada a um local isolado.

     A primeira sessão de agressões ocorreu no próprio haras, onde a vítima sofreu choques elétricos, coronhadas, teve dentes arrancados, um dedo baleado e foi abandonada inconsciente em uma via pública.

     No dia seguinte, ao receber alta hospitalar, o homem foi novamente raptado e submetido a novas sessões de tortura: queimaduras com cigarro, perfurações com agulhas aquecidas, cortes com máquina de tosquia e aplicação de álcool nos ferimentos. Depois, foi levado até uma pedreira e forçado a se atirar de um penhasco. Mesmo gravemente ferido, sobreviveu.

     Após o crime, os agressores ainda invadiram a casa da vítima e furtaram objetos pessoais. Segundo o Ministério Público, Ari Glock Junior era reincidente em ações semelhantes.






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