Ex-jogador do Juventude é denunciado por manipular jogos e ocultar milhões
Um novo capítulo do escândalo das apostas esportivas no futebol brasileiro veio à tona nesta segunda-feira e tem como protagonista um ex-jogador do Juventude. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), denunciou o atleta por fraude, manipulação de competição esportiva e lavagem de dinheiro.
Segundo o promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, o ex-jogador teria participado de um esquema de manipulação de apostas envolvendo partidas do Campeonato Brasileiro Série A de 2025, além de ocultar mais de R$ 1,9 milhão por meio de movimentações financeiras suspeitas. De acordo com a denúncia, o atleta solicitou vantagem patrimonial para, de forma intencional, receber cartões amarelos em dois jogos específicos do Brasileirão. As partidas ocorreram em 29 de março de 2025, em Caxias do Sul, e em 10 de maio de 2025, em Fortaleza.
A investigação identificou que, antes dos confrontos, houve um aumento anormal no volume de apostas na modalidade conhecida como “cartão de jogador”, o que indica que apostadores já tinham conhecimento prévio do resultado do lance, elemento considerado chave para caracterizar a manipulação. Ainda conforme o Ministério Público, o denunciado recebeu valores expressivos de empresas ligadas à exploração de apostas esportivas, quantias que teriam sido posteriormente ocultadas e dissimuladas por meio de transações bancárias incompatíveis com a renda lícita declarada pelo atleta. — Pedimos o compartilhamento de todas as provas com a Polícia Federal, para apuração de eventuais crimes conexos de caráter interestadual — afirmou o promotor Manoel Figueiredo Antunes.
A denúncia é resultado da Operação Totonero, deflagrada em 20 de maio de 2025 pelo 5º Núcleo Regional do Gaeco – Serra. A investigação teve início a partir de informações encaminhadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e por entidades internacionais de monitoramento de apostas esportivas.
Durante a operação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão: um na residência do atleta e outro no Estádio Alfredo Jaconi, em um armário de uso pessoal. A Justiça também autorizou quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático, além de outras medidas cautelares.
O caso reacende o alerta sobre a influência das apostas esportivas no futebol brasileiro, especialmente em competições de alto nível, e amplia a pressão por mecanismos mais rígidos de controle, fiscalização e punição para proteger a integridade do esporte.
