Polícia

Manifestação em Garibaldi pede anulação de júri e cobra justiça por morte de mulher

Ato ocorre neste domingo (08), iniciando em frente ao MP e termina no Cemitério Municipal
06/02/2026 Em Garibaldi
Portal Adesso - Fotos: Divulgação

     Garibaldi amanhecerá em clima de protesto no próximo domingo (8). Uma manifestação pública pedirá a anulação do júri popular que condenou o homem acusado pela morte de Eleci Rejane Faleiro, de 38 anos, e levará às ruas um grito coletivo contra os feminicídios registrados no Rio Grande do Sul.

     A mobilização tem início às 8h30min, em frente à sede do Ministério Público - MP, na Rua Treze de Maio. De lá, os participantes seguirão em caminhada até o Cemitério Municipal, onde Eleci foi sepultada. O ato é aberto à comunidade e pretende reunir familiares, apoiadores e pessoas indignadas com o resultado do julgamento.

     Eleci foi morta em 29 de julho de 2025, dentro da casa onde vivia com o então companheiro, no bairro São Francisco. A investigação da Polícia Civil tratou o caso como feminicídio, mas o desfecho no Tribunal do Júri, realizado em 20 de janeiro, gerou revolta: os jurados entenderam que o réu não teve intenção de matar. Com isso, Adair Leonir Rommel foi condenado por lesão corporal seguida de morte, recebendo pena de nove anos de reclusão em regime fechado — decisão considerada incompatível com as provas por familiares e pelo Ministério Público. Quem coordena a caminhada é Larissa da Rosa, filha mais velha da vítima. Para ela, o julgamento ignorou a luta da mãe pela própria vida.

     Segundo Larissa, Eleci mantinha relacionamento com Rommel há sete anos. Casaram-se em 2021 e passaram a morar juntos no bairro onde ocorreu o crime. Do relacionamento nasceu a filha mais nova de Eleci, que atualmente está sob os cuidados da irmã mais velha. O casal enfrentava desgaste, e Eleci havia pedido a separação um dia antes de ser morta. No próprio dia do julgamento, o Ministério Público anunciou que buscaria a anulação da decisão. A promotora de Justiça Lívia Colombo Liberato Braga, que atuou no caso, afirmou que a conclusão dos jurados contrariou o conjunto de provas apresentado no processo.

     Em nota, o MP foi direto: “Não existe feminicídio sem intenção de matar, sendo incompatível com o conjunto probatório a conclusão de que a agressão praticada pelo réu não teve o propósito de tirar a vida da vítima”. Além da condenação criminal, Rommel perdeu o poder familiar sobre a filha, foi condenado ao pagamento de indenização mínima de R$ 50 mil à criança e terá o nome retirado da certidão de nascimento. Ele cumpre pena na Penitenciária Estadual de Bento Gonçalves.



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