Política

Sem poder e sem rumo, Família Cettolin ataca imprensa em Garibaldi

Reação amadora expõem incômodo com a verdade após reportagem expor problemas herdados na obra da Barragem
14/02/2026 Em Garibaldi
Portal Adesso - Foto: Reprodução

     Sem aceitar a rejeição histórica de 2024, grupo do ex-prefeito tenta descredibilizar reportagem sobre a Barragem Santa Mônica e usam rádio comunitária, de forma irregular, para fazer política.

     A derrota foi acachapante. Mesmo assim, não bastou. Fora do comando da Prefeitura de Garibaldi desde 2021 e sem vencer em uma única urna na eleição de 2024, o grupo político ligado à família do ex-prefeito Antônio Cettolin (MDB) voltou a atacar — desta vez, mirando diretamente um órgão de imprensa regional. O alvo foi o Portal  de Notícias ADESSO, após reportagem que repercutiu fortemente ao tratar da situação da Barragem Santa Mônica, hoje sob administração da Corsan/Aegea. Sem rebater os fatos, o grupo optou por atacar a reportagem, mas como são amadores e despreparados, confundiram o que é Portal de Notícias com Canal de Televisão.

     A controvérsia ganhou força depois que a secretária municipal de Segurança e Mobilidade Urbana, Luciane Baruffi, participou do programa Prato Limpo, exibido pela ADESSO TV, líder de audiência nas tardes da região. No ar, a secretária afirmou que a Corsan procurou o prefeito Sérgio Chesini (PP) para alertar sobre riscos em pontos da barragem, chegando a cogitar o fechamento do passeio público — hipótese descartada por Chesini que disse que tomaria medidas drásticas caso isso ocorresse. A fala bastou para expor novamente problemas antigos da obra realizada durante o governo de Antônio Cettolin, alvo, à época, de sindicância interna, com registros de rachaduras, falhas construtivas e até ausência de contrato formal entre o município e a Corsan, então estatal. Situação esta que fez o prefeito Alex Carniel (PP) não realizar a segunda etapa que era prevista da obra, pois não quis investir dinheiro público em uma área que não era do município. E Alex estava certo, afinal, logo depois a Corsan foi concedida pelo governo do Estado para a AEGEA. 

     Tentando contrariar as informações apresentadas e acusando o Portal ADESSO de mentir,  o filho mais velho do ex-prefeito, se fantasiou de repórter e sem nenhuma formação jornalística ou conhecimento sobre notícia, se postou em frente a um telefone celular e sem experiência, improvisando, começou a ler um texto para divulgar nas redes sociais, da rádio que é sintonizada no máximo em uma quadra. O conteúdo, porém, teve alcance irrisório: poucas curtidas, quase nenhum compartilhamento e nenhuma resposta objetiva às irregularidades apontadas na reportagem original. Assim também fez o outro filho e vereador milionário na sessão da Câmara na última segunda-feira (09).

     Nos bastidores, o incômodo tem explicação. Desde 2021, quando o grupo Cettolin deixou a Prefeitura, não há registros de denúncias de corrupção ou desvio de recursos públicos contra a atual administração. Nenhuma operação, nenhuma busca, nenhuma apreensão. Bem diferente do passado. Em 2018, a Polícia Federal cumpriu mandados em Garibaldi envolvendo integrantes do governo Cettolin, incluindo o então secretário Micael Carissimi, que na sua casa tinha dinheiro vivo escondido em cômodos e no carro. 

     No ano passado, a Polícia voltou a cidade, novamente em endereços ligados a ex-integrantes da gestão Cettolin. Episódios que a rádio comunitária prefere silenciar e sequer tenta escrever uma única linha.

     A tentativa de intimidação à imprensa ocorre mesmo após uma das maiores derrotas eleitorais da história local. Em 2024, Antônio Cettolin não venceu em nenhuma urna. Ainda assim, a família segue orbitando cargos públicos: um filho vereador com patrimônio milionário declarado, outro ocupando função no governo estadual com salário de cerca de R$ 14 mil, além do próprio ex-prefeito atuando como assessor parlamentar. Isso também a rádio comunitária não mostra.

     Para profissionais da imprensa, o roteiro é conhecido: atacar para tentar esconder erros do passado. Como no episódio da retirada do cavalo no trevo da cidade, quando o grupo espalhou informações falsas para criar crise política dizendo que o cavalo de Garibaldi não voltaria ao local. Em vez de contestar tecnicamente os fatos, o grupo reage por meio de uma rádio irregular, utilizada para críticas políticas diretas — prática vedada pela legislação que rege esse tipo de concessão pública.

     O episódio reacende o debate sobre o papel da imprensa, o uso irregular de concessões públicas para fins políticos e os limites entre crítica legítima e ataque pessoal. Também reforça uma constatação: em Garibaldi, parte da velha política continua atuando não para explicar o passado, mas para tentar reescrevê-lo.


QUANDO FALTA CONHECIMENTO, SOBRA CONFUSÃO

     Talvez seja preciso começar pelo básico. Portal de notícias não é “canal de Facebook”, assim como televisão a cabo não é rádio de bairro e streaming não é favor tecnológico. Um portal jornalístico publica reportagens, apura fatos, checa informações e responde juridicamente pelo que divulga. Redes sociais são apenas meio de distribuição, não o produto final.

     No caso em questão, o Portal Adesso funciona como veículo jornalístico digital, com site próprio, audiência regional consolidada e produção de conteúdo informativo. Já a ADESSO TV opera como canal de televisão a cabo, com programação regular, entrevistas ao vivo, distribuição via operadoras, streaming e retransmissão em plataformas digitais.

     Confundir isso tudo e resumir a operação a um “canal de Facebook” revela menos sobre o veículo atacado e mais sobre quem ataca. É como chamar um jornal impresso de “folheto” ou uma emissora de TV de “grupo de WhatsApp”. Não é crítica — é desconhecimento mesmo. Enquanto portais e canais profissionais investem em estrutura, equipe, concessões, responsabilidade editorial e alcance multiplataforma, há quem ainda trate comunicação como se fosse um vídeo improvisado, gravado no celular, lido sem apuração e lançado à internet na esperança de que barulho substitua conteúdo.

     No fim, a diferença é simples e bastante objetiva: veículos profissionais informam, plataformas pessoais opinam. E quando essa linha se perde, o problema não é da tecnologia — é da falta de compreensão sobre como funciona a comunicação no século XXI.






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