Proprietária da Empresa ARKI está entre os presos pela Polícia Federal
A proprietária da empresa ARKI Assessoria e Serviços Ltda foi uma das pessoas presas na manhã desta quinta-feira (26), durante a segunda fase da Operação Lamaçal. Ela foi encaminhada ao sistema prisional e permanece recolhida no Presídio de Lajeado.
Na mesma ação, os agentes federais também prenderam o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, ampliando o alcance político da investigação, que apura suspeitas de desvio de recursos públicos federais destinados à reconstrução de municípios atingidos pelas enchentes de 2024 no Vale do Taquari. A casa de uma vereadora de Encantado também teve busca e apreensão, assim como em Garibaldi, a residência de ex-secretário municipal foi alvo.
Segundo a Polícia Federal, a Operação Lamaçal investiga o possível desvio de verbas do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) repassadas à Prefeitura de Lajeado após as cheias de maio de 2024. A análise do material apreendido na primeira fase, deflagrada em novembro de 2025, apontou indícios de direcionamento de licitações, sobrepreço e atuação coordenada de empresas de um mesmo grupo econômico, entre elas a ARKI. O nome da ARKI e de sua proprietária não é inédito em investigações. Em 2016, o Ministério Público denunciou a ARKI Assessoria e Serviços Ltda e Lorena Mercalli por supostas irregularidades em contratos firmados com o município de Encantado, relacionados à prestação de serviços de zeladoria, limpeza urbana, roçada de vegetação e manutenção de prédios públicos, incluindo escolas, postos de saúde e o Centro Administrativo Municipal. Naquela ocasião, a Justiça determinou o bloqueio de bens da empresa e da empresária, medida adotada no curso da apuração para garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.
A investigação também trouxe Garibaldi novamente para o foco das ações federais. No município, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em residências ligadas a ex-integrantes da administração municipal na gestão Cettolin.
Uma das diligências ocorreu na casa de Carlo Mosna, ex-secretário municipal de Segurança e Mobilidade Urbana, que integrou o governo do então prefeito Antônio Cettolin (MDB). Após deixar o cargo público, Mosna passou a atuar profissionalmente na ARKI, empresa agora no centro da investigação federal. Conforme apurado, sua esposa seria proprietária de uma empresa, na qual a Polícia Federal aponta ligação com a Arki.
Outra ação foi realizada na residência de um familiar de Micael Carissimi, ex-secretário municipal e ex-chefe de gabinete da gestão Cettolin, reforçando os vínculos entre a empresa investigada e figuras estratégicas da administrações do MDB em Garibaldi.
Fontes ligadas à apuração destacam que os contratos de prestação de serviços terceirizados firmados entre a ARKI e a Prefeitura de Garibaldi ocorreram em períodos anteriores à atual gestão municipal. Ou seja, os vínculos contratuais não envolvem o governo atual, mas administrações passadas.
A ARKI presta serviços ao município de Garibaldi desde o governo Antônio Cettolin, período em que passou a operar contratos públicos locais — relação que agora entra no radar da Polícia Federal com o avanço da Operação Lamaçal.
Ao todo, a Justiça Federal expediu 20 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária, além do sequestro de veículos e bloqueio de ativos financeiros, por determinação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. As diligências ocorreram em Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre.
Segundo a Polícia Federal, os investigados podem responder por crimes como desvio ou aplicação indevida de verbas públicas, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Nenhum dos envolvidos ou seus advogados se manifestaram até o momento sobre a operação e prisões. Assim que se manifestarem, a reportagem será atualizada.
