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Caminhoneiros estão em Estado de Greve e dão últimato ao governo

Paralisação nacional pode começar em até sete dias se não houver acordo
20/03/2026
Portal Adesso

     A ameaça de uma nova paralisação nacional dos caminhoneiros segue no radar. Apesar de recuarem de uma greve imediata, lideranças da categoria decidiram manter o estado de greve e deram um prazo de sete dias para que o governo federal avance nas negociações sobre as principais demandas do setor.

     A decisão foi tomada após assembleia realizada em Santos (SP) e ocorre em meio à publicação da Medida Provisória nº 1.343/2026, que trata de regras para o frete rodoviário. Entidades representativas afirmam que a mobilização continua e que uma paralisação pode ser deflagrada caso não haja resposta concreta do governo. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, confirmou que irá se reunir com representantes dos caminhoneiros na próxima semana. O encontro será mais uma tentativa de evitar a interrupção do transporte de cargas no país.

     Segundo José Roberto Stringasci, presidente da Associação Nacional de Transporte no Brasil (ANTB), a maioria dos caminhoneiros defendia uma paralisação imediata, mas aceitou aguardar o prazo estabelecido. “Se em sete dias o governo não resolver a situação, eles vão parar”, afirmou. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) também indicou que a greve nacional está, por enquanto, suspensa, destacando que a decisão foi influenciada pela publicação da medida provisória.

     A nova MP determina o registro obrigatório das operações de transporte por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), permitindo maior fiscalização sobre o cumprimento do piso mínimo do frete. O texto prevê penalidades severas para empresas que descumprirem as regras, com multas que podem variar de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação. Em casos de reincidência, há possibilidade de suspensão ou até cancelamento do registro para transporte de cargas por até dois anos.

     Além disso, o governo publicou um decreto com diretrizes para a definição do preço de referência do diesel — outro ponto sensível para a categoria. Para os caminhoneiros, o cumprimento do piso mínimo é considerado essencial. “É dignidade e qualidade de vida. Se subir o diesel, com as regras da MP, o frete também precisa subir”, destacou uma das lideranças durante a assembleia.

     Em Santa Catarina, onde havia previsão de paralisação, o movimento foi desmobilizado após decisão da Justiça Federal que proibiu bloqueios em rodovias estratégicas, como as BRs 101 e 470, além de acessos portuários. O descumprimento poderia gerar multas de até R$ 100 mil. Mesmo com o recuo momentâneo, entidades como a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) reforçam que a suspensão da greve depende diretamente do avanço das negociações.

     A avaliação entre lideranças é clara: o movimento não terminou — apenas foi adiado. O próximo capítulo será decisivo para definir se o país enfrentará ou não uma nova crise no transporte rodoviário.



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