Carne dispara e picanha atinge maior alta em quase 20 anos no Brasil
A picanha, carne citada diversas vezes pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha eleitoral de 2022, acumula uma inflação que chega a 45% nos últimos 12 meses, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O churrasco do brasileiro nunca esteve tão caro — e os números agora confirmam a percepção geral. A carne bovina atingiu um dos patamares mais altos das últimas duas décadas, com a picanha liderando a escalada e se consolidando como um verdadeiro artigo de luxo. A alta não é pontual. Trata-se de um movimento contínuo que vem se intensificando nos últimos três anos e que, em 2026, atinge um pico histórico quando considerados os valores corrigidos pela inflação — o maior nível desde o início da série histórica, em 2001.
Atualmente, a carne já figura entre os itens que mais pressionam o orçamento doméstico, com impacto direto no consumo das famílias. O corte, tradicionalmente presente nos fins de semana, começa a desaparecer da rotina e passa a ser reservado para ocasiões especiais. O fenômeno, no entanto, não se limita aos cortes nobres. A alta é generalizada e atinge toda a cadeia da carne bovina, refletindo um desequilíbrio entre oferta e demanda.
A trajetória recente ajuda a explicar o cenário atual:
2024: a picanha registrou alta próxima de 9%, marcando o início de um novo ciclo de valorização
2025: os preços se mantiveram elevados, sustentados por exportações aquecidas e menor oferta de gado
2026: a carne bovina consolida o salto, com aumentos acumulados que chegam a mais de 40% em relação a 2024, dependendo do corte e da região
Diante desse cenário, o comportamento do consumidor já começa a mudar. A carne bovina perde espaço no carrinho de compras, enquanto alternativas mais baratas, como frango e carne suína, ganham protagonismo. A tendência, segundo analistas, é de retração no consumo ao longo de 2026 — um reflexo direto da perda de poder de compra. Mesmo com possíveis oscilações ao longo do ano, o cenário ainda é de cautela. A expectativa é de que os preços permaneçam elevados enquanto persistirem os fatores que pressionam o mercado.
Na prática, o impacto já está claro: o churrasco segue firme como tradição nacional — mas, cada vez mais, com ajustes no cardápio. E a picanha, antes presença garantida, passa a ocupar um novo lugar: o de exceção.

