Política

Povo paga pedágio mais caro enquanto avião do Estado vira "Taxi Eleitoral"

Vice-governador Gabriel Souza (MDB) passeia pelo interior em aeronave da Brigada Militar
05/05/2026
Portal Adesso - Fotos: Reprodução e Internet

     Enquanto milhares de gaúchos sentem no bolso o novo aumento dos pedágios nas rodovias, o vice-governador Gabriel Souza intensifica viagens pelo interior do Estado utilizando aeronaves públicas em meio à movimentação eleitoral para 2026.

     Neste fim de semana, Gabriel Souza — que é pré-candidato ao governo do Estado pelo MDB — embarcou no avião Cessna Caravan da Brigada Militar rumo à cidade de Santiago, na Fronteira Oeste. Ao lado dele estavam os deputados estaduais e também pré-candidatos. Ernani Polo (PSD), pré candidato a  vice-governador na chapara de Gabriel e o deputado estadual Frederico Antunes (PSD) que é pré candidato a senador.

     Oficialmente, a justificativa da viagem seria participação em compromissos institucionais. Nos bastidores políticos, porém, cresce a avaliação de que as agendas têm servido como vitrine antecipada de campanha eleitoral, impulsionada pelo uso da estrutura pública do Estado. A situação chama atenção principalmente porque, até o ano passado — fora do calendário eleitoral — a frequência de viagens e aparições públicas conjuntas entre os três, não era registrada com a mesma intensidade nas redes sociais dos envolvidos.

     A polêmica ocorre justamente dias após a aprovação do reajuste dos pedágios free flow. Os novos valores começaram a valer no fim de abril e elevaram tarifas em diversos trechos utilizados diariamente por trabalhadores e transportadores. Nas redes sociais, internautas passaram a questionar o contraste entre o discurso de austeridade e o uso de aeronaves públicas por lideranças políticas em pré-campanha.

     O Cessna Caravan utilizado pelo governo é vinculado à Brigada Militar e normalmente destinado a operações logísticas, transporte de efetivo, missões emergenciais e deslocamentos institucionais do Estado. Embora autoridades tenham autorização para uso da estrutura aérea oficial em compromissos governamentais, especialistas em direito eleitoral apontam que a utilização recorrente de bens públicos em agendas que possam caracterizar promoção pessoal ou eleitoral pode levantar questionamentos jurídicos. A legislação eleitoral brasileira proíbe o uso promocional de bens e serviços custeados pelo poder público para beneficiar candidaturas. Entre os dispositivos que podem ser analisados estão artigos da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/97) relacionados ao abuso de poder político e uso indevido da máquina pública.

    Dependendo da caracterização dos atos, situações do tipo podem ser alvo de investigação pela Justiça Eleitoral e pelo Ministério Público Eleitoral.


Gabriel Souza ainda não decolou nas pesquisas

     A movimentação intensa do vice-governador já é interpretada como tentativa de ampliar conhecimento popular antes do início oficial da campanha. Levantamentos eleitorais divulgados nos últimos meses mostram que Gabriel Souza ainda aparece com índices modestos de intenção de voto na disputa pelo Piratini, girando em torno de um dígito em diferentes cenários apresentados por institutos e análises eleitorais divulgadas no Estado. Aliados acreditam que a presença constante em eventos regionais, inaugurações e agendas pelo interior poderá fortalecer sua imagem política.

     Já opositores afirmam que o governo estaria antecipando uma campanha eleitoral “disfarçada” de agenda institucional, utilizando recursos públicos para ampliar visibilidade política em diversas regiões do Estado.






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