Vírus respiratório se espalha e já provoca centenas de internações na região
O avanço do vírus sincicial respiratório (VSR) acendeu um sinal de alerta em cidades da Serra Gaúcha e preocupa autoridades de saúde diante do aumento expressivo das internações e mortes relacionadas a síndromes respiratórias graves no Rio Grande do Sul. Conhecido por ser o principal causador da bronquiolite em crianças pequenas, o vírus também tem potencial para provocar complicações severas em idosos e pacientes com doenças crônicas.
Somente neste ano, municípios como Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Farroupilha, Garibaldi e Carlos Barbosa já contabilizam 293 internações ligadas ao VSR até esta quarta-feira (6). O crescimento acompanha um cenário preocupante em todo o Estado, que registrou 3.621 hospitalizações e 68 mortes pela doença em 2025. O número representa aumento de 32% em relação ao ano anterior.
Em Caxias do Sul, o cenário também preocupa. O município já soma 17 mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em 2026, ficando atrás apenas de Porto Alegre em número de óbitos no Estado. Parte das mortes está associada a vírus respiratórios circulantes, enquanto outros casos seguem sob investigação. O VSR costuma iniciar com sintomas semelhantes aos de um resfriado comum, incluindo coriza, febre e tosse leve. O problema é que, em muitos casos, o quadro evolui rapidamente. Médicos alertam que sinais como dificuldade para respirar, piora da oxigenação, chiado no peito e dificuldade para mamar em bebês exigem atendimento médico imediato.
Especialistas explicam que o vírus é altamente transmissível e pode permanecer ativo em superfícies, favorecendo a disseminação principalmente durante o inverno e em ambientes fechados. A transmissão pode ocorrer até dois dias antes do surgimento dos sintomas, aumentando o risco de contágio dentro de casas, escolas, creches e hospitais. O aumento dos casos também reacendeu a procura por vacinas e medidas preventivas. Entre as estratégias recomendadas estão a vacinação de gestantes com a vacina Abrysvo, da Pfizer, além da aplicação do anticorpo monoclonal Beyfortus em bebês considerados de maior risco. O medicamento passou a ser disponibilizado pelo SUS para grupos específicos de recém-nascidos prematuros e crianças com doenças graves. Para adultos, as vacinas Abrysvo e Arexvy seguem disponíveis apenas na rede privada. A recomendação da Sociedade Brasileira de Imunizações é que idosos e pessoas com comorbidades procurem imunização para reduzir o risco de hospitalização.
Com a aproximação das temperaturas mais baixas, profissionais da saúde reforçam a necessidade de medidas de prevenção, como higienização frequente das mãos, uso de lenços descartáveis, evitar aglomerações e manter distância de pessoas com sintomas respiratórios. O temor é de que a circulação simultânea de diferentes vírus respiratórios pressione ainda mais os serviços de saúde da região nas próximas semanas.
INTERNAÇÕES
Caxias do Sul: 153
Bento Gonçalves: 106
Farroupilha: 09
Garibaldi: 16
Carlos Barbosa: 09
