Política

Conselho de Ética aprova suspensão do Deputado Marcel Van Hattem

Parlamentar do Novo acusa perseguição política e promete reação após colegiado decidir por afastamento
06/05/2026
Portal Adesso - Foto: divulgação

     O clima de confronto político voltou a dominar os corredores de Brasília após o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovar, nesta quarta-feira (05), o relatório que pede a suspensão por dois meses do mandato do deputado gaúcho Marcel Van Hattem (NOVO), além dos parlamentares Marcos Pollon (PL) e Zé Trovão (PL).

     A decisão ocorreu em meio a forte tensão política e teve votação individual após requerimento apresentado por Van Hattem. Agora, o caso segue para análise do plenário da Câmara dos Deputados, onde a disputa promete ampliar ainda mais a polarização entre governo e oposição. O processo disciplinar teve origem nos episódios registrados em agosto de 2025, quando parlamentares da oposição promoveram um motim dentro da Câmara após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, deputados bloquearam o funcionamento da sessão legislativa em uma tentativa de pressionar pela votação do projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

     Segundo relatos do processo, durante a confusão o presidente da Câmara, Hugo Motta, teria sido impedido de ocupar a cadeira da presidência para iniciar os trabalhos legislativos. Durante a sessão do Conselho de Ética, Van Hattem reagiu duramente à decisão e classificou o processo como uma tentativa de silenciar parlamentares de direita. “A decisão foi política, não jurídica. Querem nos calar”, afirmou o deputado gaúcho, alegando ainda que não existem provas de quebra de decoro parlamentar.

     A defesa do parlamentar sustentou que imagens comprovariam que Van Hattem não participou diretamente da ocupação da cadeira da presidência da Câmara. Em discurso marcado por críticas ao processo, o deputado afirmou que o julgamento representa uma forma de censura política contra a oposição. Os deputados Marcos Pollon e Zé Trovão também contestaram as acusações e compararam o caso às condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro. Ambos afirmaram que estariam sendo punidos por um “crime inexistente” e denunciaram perseguição política.

     Do outro lado, parlamentares favoráveis à suspensão defenderam a medida como necessária para preservar o funcionamento do Congresso Nacional. A deputada gaúcha Maria do Rosário (PT), afirmou que os atos praticados durante o motim representaram uma tentativa de impedir o funcionamento democrático da Câmara.

     Sob protestos, vaias e clima de embate entre apoiadores e opositores, a sessão terminou elevando ainda mais a temperatura política em Brasília. A expectativa agora se volta para o plenário da Câmara, onde a decisão final sobre a suspensão dos mandatos deve provocar novos confrontos entre base governista e oposição.





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