“Aberração é homem sem filho e sem esposa receber Bolsa Família”, diz ex-prefeito de Bento
Uma declaração forte do ex-prefeito de Bento Gonçalves, Diogo Siqueira (PL), voltou a colocar no centro das discussões a fiscalização dos beneficiários do Programa Bolsa Família na Serra Gaúcha. Durante participação no programa Prato Limpo, exibido pelo Canal ADESSO TV, o ex-chefe do Executivo bentogonçalvense afirmou que considera uma “aberração” homens solteiros, sem filhos e aptos ao trabalho receberem o benefício social do Governo Federal.
“Aberração é um homem sem filho, sem esposa recebendo Bolsa Família”, declarou Siqueira ao comentar as ações de fiscalização realizadas durante sua gestão. A fala rapidamente repercutiu nas redes sociais e reacendeu um debate que já havia provocado polêmicas em todo o Estado. Nos últimos meses, Bento Gonçalves ganhou notoriedade nacional após a prefeitura implementar uma força-tarefa para revisar cadastros do Bolsa Família e incentivar beneficiários a ingressarem no mercado de trabalho.
Segundo dados divulgados pelo próprio município, a cidade conseguiu reduzir em cerca de 40% o número de famílias cadastradas no programa entre 2024 e 2026. O total caiu de aproximadamente 2,1 mil famílias para cerca de 1,2 mil beneficiários após o início das visitas domiciliares feitas pela equipe municipal e cruzamento de informações cadastrais.
Durante a entrevista, Siqueira afirmou que o trabalho não ficou restrito apenas a Bento Gonçalves. Conforme ele, prefeitos de cidades da região atuaram em conjunto para ampliar a fiscalização regional. “Além de Bento Gonçalves, os prefeitos da região também pegaram juntos e atuamos de maneira conjunta nas cidades. Não adiantava eu fiscalizar em Bento e em Garibaldi, Farroupilha ou Carlos Barbosa não haver fiscalização. Foi um trabalho em conjunto e com grande resultado”, afirmou.
A operação envolvia equipes da assistência social visitando residências de beneficiários para verificar a situação familiar, condições de trabalho e possíveis irregularidades no cadastro. Conforme o ex-prefeito, o foco principal eram pessoas consideradas aptas ao trabalho, especialmente homens jovens sem dependentes. Diogo defende que o Bolsa Família deveria ser destinado prioritariamente a famílias em situação extrema de vulnerabilidade, como mães com vários filhos e pessoas impossibilitadas de trabalhar. Na ocasião, ele afirmou que o município oferecia vagas de emprego, transporte e apoio para encaminhar beneficiários ao mercado de trabalho.
As ações, porém, também geraram forte reação de entidades sociais, setores ligados à assistência social e órgãos de defesa de direitos. Cartas e notas de repúdio chegaram a ser divulgadas criticando a condução das fiscalizações e as declarações públicas do então prefeito. Algumas entidades classificaram as falas como estigmatizantes e apontaram risco de exposição de famílias em situação de vulnerabilidade.
Mesmo diante das críticas, Siqueira manteve o discurso de endurecimento na fiscalização e afirmou diversas vezes que a intenção não era “punir”, mas incentivar o trabalho formal e combater possíveis fraudes no sistema.
O caso transformou Bento Gonçalves em uma das cidades mais comentadas do país quando o assunto passou a ser controle de benefícios sociais. A repercussão ganhou espaço em veículos nacionais e dividiu opiniões entre apoiadores da medida e críticos da postura adotada pela gestão municipal.
