Fracassa plano de Eduardo Leite para implantar o Bloco 2 dos Pedágios
O governo do Rio Grande do Sul sofreu um duro revés nesta quarta-feira (3) após o fracasso do leilão de concessão do chamado Bloco 2 de rodovias estaduais. Nenhuma empresa apresentou proposta para assumir a administração dos 409 quilômetros de estradas incluídos no projeto, levando ao cancelamento da disputa que ocorreria no próximo dia 10 de junho, na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo.
A ausência de interessados surpreendeu o mercado e colocou em xeque uma das principais apostas do governo estadual para ampliar os investimentos em infraestrutura rodoviária. O projeto previa cerca de R$ 6 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos e abrangia trechos das rodovias ERS-128, ERS-129, ERS-130, ERS-135, ERS-324 e RSC-453, importantes corredores logísticos do Vale do Taquari, Serra e Norte do Estado. Mesmo após alterações realizadas pelo governo para tornar o modelo mais atrativo, nenhuma concessionária decidiu participar da disputa. Entre as mudanças promovidas estavam a redução da tarifa-teto dos pedágios e a manutenção de um aporte público de R$ 1,5 bilhão por meio do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs).
O fracasso da licitação fortaleceu as críticas que vinham sendo feitas por prefeitos, lideranças empresariais, entidades regionais e parlamentares contrários ao modelo de concessão. Para os opositores, o desinteresse do mercado demonstra que a proposta apresentada pelo Estado não alcançou a viabilidade esperada.
Durante agenda na Federasul, o vice-governador Gabriel Souza lamentou a falta de propostas e avaliou que o ambiente de insegurança em torno do debate sobre as concessões pode ter contribuído para afastar investidores.
O Bloco 2 abrange importantes corredores logísticos do Estado, ligando municípios desde Nova Prata, no Alto Vale do Taquari, até Erechim, no Norte gaúcho. O trecho também inclui cidades estratégicas como Lajeado e Estrela, atendendo uma região que concentra cerca de 17,5% da população do Rio Grande do Sul. O certame já havia enfrentado dificuldades anteriormente. Inicialmente, a licitação estava programada para ocorrer em março deste ano. Porém, uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) apontou a necessidade de ajustes técnicos na modelagem da concessão, levando ao adiamento do processo.
Com a licitação oficialmente declarada deserta, o governo terá de reavaliar o modelo antes de decidir os próximos passos. Até o momento, não há previsão para um novo leilão. Como 2026 é ano eleitoral, a tendência é que qualquer reformulação do projeto exija mais tempo para análise e discussão.
