Justiça suspende cerca de 70 cobranças contra a Cooperativa Languiru
A Justiça deu um novo fôlego ao processo de recuperação financeira da Cooperativa Languiru. Em decisão proferida pela 1ª Vara Judicial de Teutônia, foi determinada a centralização das cobranças judiciais movidas contra a cooperativa, além da suspensão de aproximadamente 70 execuções individuais que tramitam atualmente. A medida tem como principal objetivo evitar bloqueios de contas bancárias, penhoras e outras restrições patrimoniais que possam comprometer a continuidade das operações e dificultar o andamento da liquidação extrajudicial, iniciada em julho de 2023.
A decisão foi assinada pelo juiz Luis Gustavo Negri Garcia e atende a um pedido apresentado pela administração da cooperativa diante do avanço de ações judiciais que poderiam resultar em novas constrições patrimoniais.Segundo o superintendente administrativo e financeiro da Languiru, Gustavo Marques, situações semelhantes tiveram papel importante no agravamento da crise enfrentada pela cooperativa nos últimos anos. “A medida permite que o processo de liquidação siga de forma organizada, evitando bloqueios que poderiam comprometer a geração de receita necessária para honrar os compromissos assumidos”, destacou.
Como contrapartida à suspensão das execuções individuais, a Languiru apresentou à Justiça uma proposta de penhora equivalente a 0,2% do faturamento bruto mensal. Considerando o volume atual de negócios da cooperativa, estimado em aproximadamente R$ 50 milhões por mês, cerca de R$ 100 mil mensais deverão ser destinados aos credores que ainda não aderiram ao plano de pagamento proposto pela administração. A medida não elimina as dívidas existentes nem altera os direitos dos credores. Na prática, a decisão reorganiza a forma como as cobranças serão conduzidas durante o período de liquidação, buscando garantir tratamento mais equilibrado entre todos os envolvidos.
A administração da cooperativa também comemora avanços no plano de renegociação das dívidas. De acordo com dados divulgados pela própria Languiru, 53,1% do passivo total já foi renegociado. Ao todo, mais de 1,4 mil credores aderiram ao plano apresentado pela cooperativa, de um universo de 2.916 credores cadastrados. O modelo prevê descontos diferenciados conforme o perfil da dívida. Instituições financeiras e credores com garantia real recebem abatimento de 50%. Para créditos de até R$ 1 milhão, o desconto é de 75%, enquanto valores acima desse montante têm redução de 70%.
Segundo Gustavo Marques, o principal avanço não está apenas na diminuição do passivo financeiro, mas na inclusão de uma parcela significativa das obrigações em um fluxo regular de pagamento.“Mais importante do que o valor nominal da dívida é o fato de que mais de 50% dela já está inserida em um cronograma efetivo de quitação”, afirmou.
Os pagamentos aos credores que aderiram ao plano são realizados trimestralmente. Nas rodadas mais recentes, a cooperativa distribuiu cerca de R$ 1 milhão a cada ciclo. A expectativa da administração é ampliar gradualmente esse valor, alcançando aproximadamente R$ 2,5 milhões por trimestre nos próximos períodos.
A decisão judicial é vista internamente como um passo importante para dar previsibilidade ao processo de liquidação extrajudicial e fortalecer a estratégia de reorganização financeira da cooperativa, uma das mais tradicionais do setor agroindustrial gaúcho.
