Polícia


Brigada Militar conclui que houve excesso na morte de jovens em Bento Gonçalves e indicia quatro PMs

10/06/2014 Pioneiro.com

 

     Quatro policiais militares foram indiciados por envolvimento na perseguição que resultou na morte de dois rapazes na madrugada de 16 de março, em Bento Gonçalves.

     A conclusão do Inquérito Policial Militar (IPM) aponta os soldados
Edegar Júnior Oliveira Rodrigues e Neilor dos Santos Lopes como responsáveis pelos tiros que mataram Anderson Styburski, 16 anos, e Danúbio Cruz da Costa, 20. Os jovens eram passageiros de uma Fiorino conduzida por Tiago de Paula que fugiu de uma abordagem da Brigada Militar (BM).

    Segundo o corregedor-geral da corporação, coronel Flávio Roberto Vesule da Silva, a investigação paralela da BM indicou que houve excesso por parte dos PMs, pois não ficou comprovado que Danúbio, Anderson, Tiago e um adolescente que estavam na Fiorino reagiram a tiros conforme os policiais alegam. Um revólver foi apreendido dentro do veículo, mas a polícia ainda não esclareceu a origem.

     — Eles (policiais) foram indiciados por homicídio porque não havia necessidade de terem atirado contra a Fiorino. Pelos depoimentos, concluímos que os ocupantes já não ofereciam risco — declarou o coronel.

     O IPM também responsabiliza o soldado Alexandre Schifeldein por ter agredido Tiago durante buscas aos ocupantes da Fiorino e o sargento Lorival de Abreu Cardoso por não ter adotado providências para preservar a cena do crime. Esses dois PMs não participaram da perseguição direta aos jovens, mas foram à casa onde a Fiorino e os corpos de Danúbio e Anderson foram encontrados.

     A investigação da BM não tem relação com a apuração da Polícia Civil, reprovada recentemente pelo Ministério Público (MP) por falta de provas. O corregedor diz que ainda faltam perícias para determinar de qual arma partiram os disparos fatais contra Anderson e Danúbio. Mas ele garante que há indícios suficientes de excesso.

     — Se houve reação por parte dos jovens, isso aconteceu minutos antes dos disparos dos policiais. Os jovens empreenderam fuga e os PMs atiraram atrás da Fiorino, portanto, os disparos não se caracterizam como legítima defesa — enfatiza o coronel Flávio.

     O IPM será encaminhado nesta quarta-feira para avaliação da Justiça Militar. Os quatro PMs também responderão a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Esse procedimento é empregado para avaliar a conduta dos servidores e a permanência deles na corporação.

     A Polícia Civil deve levar de 15 a 20 dias para concluir as investigações solicitadas pelo MP. O delegado Álvaro Becker havia optado pelo indiciamento de Neilor e Edegar e também de Tiago, mas o promotor de Justiça Eduardo Só dos Santos Lumertz entendeu que a apuração era frágil para oferecimento de denúncia e pediu mais diligências.

ENTENDA O CASO

 

A ABORDAGEM
Na madrugada do domingo, dia 16 de março, Tiago de Paula, Anderson Styburski, Danúbio Cruz da Costa e um adolescente de 15 anos voltam de uma festa no interior de Bento Gonçalves em uma Fiorino emprestada. Por volta das 5h15min, o veículo conduzido por Tiago passa em alta velocidade na Rua Olavo Bilac. Desconfiados, dois policiais iniciam perseguição. No final da Rua Domênico Zanetti, Tiago tenta subir com a Fiorino em um trecho sem pavimentação, mas o veículo patina, volta de ré e bate na viatura.

OS TIROS

Versão dos policiais
No momento da colisão, os PMs já haviam desembarcado com armas em punho (espingarda calibre 12 e pistola). Um dos ocupantes da Fiorino saca uma arma e atira pela cabine ao mesmo tempo em que o motorista arranca o veículo. Os PMs revidam com mais de 12 disparos.

 

Versão dos jovens


Após a batida, os policiais disparam várias vezes contra a Fiorino. Nenhum dos ocupantes da caminhonete está armado. Para não morrer e ajudar os amigos, Tiago dirige em direção ao bairro Fátima e despista os PMs. Ele e o adolescente de 15 anos não sabem que Anderson e Danubio foram baleados.

AS BUSCAS


Tiago estaciona a Fiorino nos fundos da casa do adolescente de 15 anos. Os dois abrem a porta do bagageiro e constatam que Anderson e Danubio estão mortos. Quinze minutos depois, uma equipe da BM encontra a Fiorino e prende Tiago. Esses policiais pedem por uma arma. Os PMs encontram os corpos dos outros dois jovens. Mais tarde, os peritos encontram um revólver calibre

 

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