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Persona: Nivaldo Steffani, o primeiro piloto de avião de Carlos Barbosa

19/03/2017 - Fonte: Portal Adesso - Fotos: Flávio Antônio Ballejo

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     O personagem desta edição, pode ver o crescimento do então distrito de Carlos Barbosa pelo alto. Natural de Linha Doze, que na época era município de Garibaldi, Steffani junto com sua esposa Lourdes, contou sobre sua vida que foi diretamente ligada à aviação. Pelas péssimas estradas da época, Nivaldo saia de Carlos Barbosa em um motociclo e se dirigia até Garibaldi para fazer aulas do curso de Piloto de Avião no aeroclube local.

     Ele nasceu no dia 11 de setembro do ano de 1930. Filho de Silvino e Dozolina Merzoni Steffani, é de uma família de dez irmãos, o pai era mecânico e a mãe do lar. Com um álbum de fotografias em mãos, Seu Nivaldo mostrou passagens e registros de sua história.

     Homem apaixonado por aviação, o tempero foi apresentado por um amigo de trabalho, Dr Jaime, quando Nivaldo trabalhava no posto da agricultura na cidade de Barão. O colega havia feito o curso de piloto na cidade de Santa Cruz do Sul e lhe convidou para esta atividade.

     “Ele me incentivou a fazer o brevê na cidade de Garibaldi, falei com Itaner Rossi e comecei” contou Steffani. Há época ele tinha em torno de 25 anos de idade. “Eu brevetei no ano de 1957”, conta Nivaldo. “Na época foi o primeiro e o único de barbosa”, cochichou a esposa. Ele também lembra de cabeça o número da sua carteira de piloto que é a nº 7.518.

     “Tinha bastante alunos naquela época, a juventude não tinha para onde ir, então frequentavam mais o aeroclube e o DAC (Departamento de Aviação Civil) dava mais apoio e até avião para se fazer cursos”, relembra ele, comentando que hoje a ANAC (Agencia Nacional de Aviação Civil), não oferece mais nada, tendo que o aeroclube se virar com recursos próprios.

     Falando sobre custos, Nivaldo diz que na época não tinha muitos gastos para se fazer um curso de piloto, e que hoje em dia é bem mais caro. Em seu tempo, era necessário quarenta e cinco (45) horas de voo. “Com 15 a 20 horas o aluno solava (voava sozinho pela primeira vez), e depois de 45 horas completava o curso.

     Ele comentou ainda que somente pilotou aeronaves de pequeno porte, monomotor. “Eu encontrei certas dificuldades, então não tinha condições de seguir uma carreira comercial na aviação, mas eu fiz aquilo que gostava, pilotar”, diz Nivaldo. Além de piloto, durante muitos anos também foi professor do Aeroclube de Garibaldi e exerceu atividades como mecânico de aeronaves.

     Ele já era casado quando concluiu o curso e quando perguntado a esposa Lourdes sobre a primeira vez que voou com o marido e se tinha confiado, risonha ela respondeu. “Eu confiei né, ele tinha responsabilidade”, relembra aos risos a esposa do Comandante.

     Durante a entrevista, Nivaldo Steffani, faz questão de relembrar seus amigos de aviação, pessoas que conheceu na sua ligação com o aeroclube como o de Gilmar Tedesco. “Ele trabalhou muito lá, ele sempre acompanhou, foi presidente várias vezes e nunca desistiu, inclusive antes de mim, ele era mecânico e fazia todo o trabalho de manutenção dos aviões”, comenta Nivaldo.

     Outro nome lembrado, foi de Itaner Rossi. “Este aeroclube está aí hoje, graças ao Itaner e ao Tedesco, eles trabalharam muito, é graças a eles que Garibaldi e região tem um local como o aeroclube hoje”, ressaltou.

     Hoje não está mais voando por questões de saúde, mas toda a semana faz suas visitas aos amigos no aeroclube. Para Nivaldo, o aeroclube está bem instalado, porém, as aulas de pilotagem estão comprometidas devido as exigências da ANAC, difíceis de serem cumpridas. Uma das aeronaves que Stefani fez muitas horas de voos, foi batizada com seu nome.

     “É o Neiva, disse ele, (Avião NEIVA P56C) enquanto a esposa entra na conversa e diz que a homenagem foi merecida ao marido. Ele chegava a sair de Carlos Barbosa para ir no aeroclube trabalhar lá, levando até funcionários da firma para ajudar”, recorda a esposa.

     Do tempo em que a pista era de terra, ele comenta que não tinha problemas, sendo apenas a poeira uma das questões que atrapalhava um pouco. Uma das histórias trazidas por ele, e do conhecimento de pessoas mais próximas a piloto, é quanto ao roteiro seguido por ele, durante seus voos.

     “Era o voozinho tradicional do final de semana, eu decolava e seguia em direção a minha terra, linha doze, o pessoal já sabia, é o Nivaldo, diz ele com risos de dona Lourdes, dizendo que lá tinha toda a família e para eles era novidade.

     Um dos filhos de Nivaldo,  Osvaldo, o mais velho, também concluiu curso de pilotagem, possui brevê, mas na atualidade está mais ligado ao aeromodelismo. “Ele tem uns vinte aeromodelos, mas ainda tem uma ligação muito forte com o Aeroclube de Garibaldi, faz parte da diretoria também, diz o pai.

     Dentre o prazer de voar e estar mais peto do céu, ele deixa escapar com exclusividade, sobre o momento mais importante da sua vida na aviação. “A história mais bonita que eu guardo, é quando voei pela primeira vez sozinho e quando solei e deixei a aeronave, me deram um banho de óleo, era um dia bem frio”, comentou, sendo mais uma vez auxiliado pela esposa, dizendo que naquele dia, além do frio, não tinha chuveiro em casa e o sabonete estava escasso, foi incrível, mas tudo valeu a pena.

     “Eu nunca tive problemas de voos, sempre procurei voar com tempo bom, não era de sair com tempo duvidoso, tinha que ser garantido”, comenta. Um dos pontos mais importantes para ele, é a amizade que sempre viveu e segue vivendo entre os amigos de aviação.

 

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