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Hidrante vira enfeite em obra milionária no centro histórico de Garibaldi

Revitalização da Buarque de Macedo em 2017 não previu estrutura essencial contra incêndios
14/07/2025 Em Garibaldi
Portal Adesso - Foto: Luciano Eduardo / ADESSO TV

     Um hidrante que poderia ser utilizado pelos Bombeiros Voluntários de Garibaldi foi utilizado como peça decorativa durante a obra de revitalização da Rua Buarque de Macedo — principal via do centro histórico da cidade. A informação foi revelada pelo subcomandante da corporação, Daniel Borsoi, durante entrevista ao programa Prato Limpo, exibido pelo Canal Adesso TV na semana passada, que contou que o hidrante colocado na esquina da Buarque de Macedo com a Presidente Vargas, na Praça Loureiro da Silva, a antiga Praça das Rosas, simplesmente não funciona, pois ele não está ligado a rede da Corsan.

     A situação chamou atenção da comunidade e expôs uma falha grave no planejamento da obra: apesar do investimento milionário feito durante a gestão passada na obra que foi alvo de denúncia por superfaturamento, o projeto executado na gestão do ex-prefeito Antônio Cettolin (MDB) não contemplou a instalação ou manutenção de hidrantes operacionais, comprometendo a segurança de moradores e do patrimônio histórico local.

    Levantamento feito pela reportagem do Portal Adesso revela que Garibaldi possui 28 hidrantes urbanos. No entanto, 15 deles estão inoperantes, 5 aguardam manutenção e apenas 8 estão em pleno funcionamento. Em caso de incêndio na área central, os bombeiros poderiam ser obrigados a se deslocar até bairros mais afastados para reabastecer os caminhões com água — um atraso que pode custar caro diante de uma emergência.

     “É inadmissível que uma obra desse porte, em uma área tombada e com edificações centenárias, não tenha levado em conta uma estrutura mínima de prevenção e combate a incêndios”, comentou um engenheiro falando sobre o caso.

     A revitalização da Rua Buarque de Macedo foi realizada entre 2015 e 2017, com valor inicial estimado em R$ 4 milhões. O projeto foi alvo de investigação do Ministério Público por suspeita de fraude em licitação e superfaturamento. A denúncia apontava que uma empresa teria sido favorecida indevidamente, com prejuízos aos cofres públicos estimados, na época, em R$ 494 mil — valor que, atualizado, ultrapassa R$ 1 milhão. Laudos do Tribunal de Contas do Estado, apontaram graves distorções no orçamento da revitalização, sendo que o Ministério Público denunciou várias pessoas. 

     Embora o ex-prefeito Cettolin tenha sido absolvido por falta de provas, o episódio ainda gera questionamentos sobre a condução da obra e os critérios adotados. A ausência de algo tão básico quanto hidrantes operacionais no coração da cidade histórica só reforça as dúvidas em torno das prioridades da antiga gestão.





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