"Vai acontecer um impacto nas empresas aqui da Serra Gaúcha", diz economista da UCS
O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que aplicará uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil está causando apreensão entre especialistas e empresários da Serra Gaúcha. Em entrevista concedida ao programa Prato Limpo, do Canal ADESSO TV nesta segunda-feira (28), o economista e professor doutor Mosár Leandro Ness, da Universidade de Caxias do Sul (UCS), alertou para os impactos econômicos diretos e imediatos que a medida deve provocar na região, fortemente dependente da exportação.
Segundo o professor, a decisão americana poderá gerar um efeito dominó na economia local. "Em um primeiro momento teremos um excesso de produtos fabricados aqui que deverão estar baratos", afirmou. No entanto, o cenário tende a piorar rapidamente: “Logo depois, teremos diminuição da produção e cortes nos empregos”, alertou Ness, destacando que a retração afetará tanto indústrias quanto o setor agrícola, dois pilares da economia regional. Além da perda de mercado externo, o professor chama atenção para a redução de entrada de dólares no país, o que deve pressionar o câmbio e aumentar os custos de importação. “As exportações trazem dólar ao país e iremos perder esses recursos. Os preços de produtos adquiridos no exterior vão encarecer, como a farinha de trigo, por exemplo. O custo de vida vai se tornar mais caro”, completou. Como temos muitas empresas metal mecânica e moveleira, sentiremos os reflexos destas tarifas de imediato. As cidades de Caxias do Sul, Carlos Barbosa e Bento Gonçalves principalmente.
Entenda a medida dos EUA
O chamado "tarifaço" foi anunciado no início de julho por Trump, que justificou a decisão como uma resposta política ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. Trump acusou o governo brasileiro de promover uma “caça às bruxas” e determinou a elevação das tarifas de importação como forma de pressão diplomática. Produtos como carne bovina, café, suco de laranja e celulose, que integram a pauta de exportações brasileiras — e muitos deles com origem ou passagem pela Serra Gaúcha — estão entre os mais atingidos. Estima-se que o custo final de alguns itens brasileiros nos Estados Unidos pode aumentar mais de 70%, o que tende a desestimular compradores e comprometer contratos internacionais.
Impactos regionais e reação do governo
Com diversas empresas exportadoras sediadas em municípios como Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Farroupilha e Garibaldi, a Serra Gaúcha se vê diretamente ameaçada. “Estamos diante de uma situação que pode gerar estagnação econômica, aumento do desemprego e inflação regional”, explicou Ness.
O governo federal reagiu classificando a medida como “chantagem” e estuda tarifas de retaliação. Até o momento, no entanto, as negociações diplomáticas estão travadas, e o prazo para entrada em vigor da tarifa se encerra em 1º de agosto.
