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Sozinha e com mala amarela: mulher acampa há um mês na rodoviária de Garibaldi

Vivendo no terminal, carioca rejeita ajuda, não revela identidade e vira enigma na cidade
01/08/2025 Em Garibaldi
Portal Adesso - Foto: Luciano Eduardo/ ADESSO TV

     Uma mulher de aproximadamente 40 anos, natural do Rio de Janeiro, tem chamado a atenção de quem circula pela estação rodoviária de Garibaldi. Há pelo menos um mês vivendo no local, ela passou a ser conhecida informalmente como “a mulher da mala amarela”, referência ao item que carrega consigo diariamente e que se tornou seu único companheiro visível.

     Discreta e silenciosa, a mulher utiliza o banheiro do terminal para higiene pessoal, troca de roupas e dorme nos bancos da rodoviária durante a noite. Sua rotina metódica, marcada pela tentativa de manter dignidade mesmo em condições adversas, tem despertado reações diversas entre moradores, trabalhadores da rodoviária e comerciantes próximos.

     “Ela não incomoda ninguém. Chega cedo, se organiza, fica sentada com a mala ao lado. De noite, deita nos bancos e em praças de Garibaldi. É uma situação que nos entristece, mas ela demonstra muita independência”, relata um atendente do terminal, que prefere não se identificar.

     Segundo comerciantes de bares na estação rodoviária, a mulher teria chegado à cidade no final de junho. A origem exata de sua vinda não é clara — algumas pessoas acreditam que ela tenha vindo de outra cidade da região, outros dizem que veio diretamente do Rio de Janeiro. Desde então, sua presença constante virou tema de comentários nas conversas do dia a dia.

     A Secretaria Municipal de Assistência Social confirmou que tem conhecimento do caso e acompanha a situação com cautela. “Já realizamos tentativas de abordagem humanizada, com oferta de acolhimento, serviços e escuta. No entanto, ela optou por não aceitar nenhuma ajuda até o momento. Em situações como essa, é preciso respeitar a vontade da pessoa, mas seguimos atentos”, informou a secretária da pasta, por meio da assessoria de imprensa.

     Nossa reportagem tentou conversar com a mulher, mas ela se recusou a dar entrevista. Limitou-se a dizer: "Tô bem. Só preciso de paz". Logo depois, contou que veio do Rio de Janeiro de carona e em certo ponto da viagem pegou ônibus até Garibaldi. "Quero morar aqui na cidade, mas tem de ser no centro. não quero em nenhum bairro", disse ela. Depois, sentindo certa confiança em nosso repórter ela começou a contar histórias desconectas, sem muito fundamento com a realidade. A "Mulher da Mala Amarela" também não quis tirar nenhuma foto e ameaçou a equipe caso algo fosse publicado.

     A história da “mulher da mala amarela” escancara uma questão social que vai além dos limites geográficos: o crescimento de pessoas em situação de rua em cidades de médio porte, um fenômeno antes mais comum nos grandes centros urbanos. Para alguns moradores, a cena causa perplexidade e impotência. “Ela claramente está em sofrimento, mas se não aceita ajuda, o que mais podemos fazer?”, questiona uma moradora que trabalha nas imediações.

     Enquanto isso, a movimentação da rodoviária segue em seu ritmo habitual. Entre chegadas e partidas, ônibus que vão e vêm, pessoas que passam por Garibaldi, a figura silenciosa da mulher permanece no mesmo lugar — firme ao lado de sua mala amarela, como se aguardasse algo que talvez só ela compreenda.

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