Economia

Crise econômica e tarifaço derrubam vendas de imóveis em Garibaldi e Carlos Barbosa

Corretores e construtoras enfrentam o pior período da última década com a instabilidade econômica
18/08/2025 Em Garibaldi
Portal Adesso

      A combinação da crise econômica nacional, altas taxas de juros e o chamado "tarifaço" — aumento significativo de impostos e tarifas — já provoca reflexos diretos no mercado imobiliário da Serra Gaúcha, tradicionalmente um dos mais aquecidos do Rio Grande do Sul. Um corretor de imóveis da região, que pediu para não ser identificado, afirma que este é o pior período que já enfrentou em mais de dez anos de atuação. “Está até pior do que durante a pandemia. De janeiro até agora, nenhum imóvel foi vendido. A situação é crítica”, disse.

     Construtoras locais também relatam retração nas vendas. A instabilidade econômica e a ausência de programas habitacionais acessíveis dificultam o lançamento de novos empreendimentos e impactam diretamente a atividade do setor. 

     Garibaldi, que lidera o mercado imobiliário regional devido ao poder aquisitivo da população, e Carlos Barbosa, cidade com forte movimento de compra e venda, sentem os efeitos de forma intensa. Enquanto a Serra Gaúcha ainda se destaca em relação a outras regiões do Estado, onde o mercado está ainda mais retraído, a crise já é visível e preocupa corretores, investidores e compradores. Segundo dados do setor, o mercado imobiliário brasileiro teve crescimento em algumas regiões em 2024, especialmente em projetos populares. Porém, no Vale dos Vinhedos e em cidades vizinhas, a alta das tarifas, juros elevados e custos de construção têm desestimulando tanto compradores quanto investidores.

     Corretores e construtoras esperam que a economia se estabilize e que novos programas habitacionais sejam implementados para reaquecer o setor. Até lá, o mercado imobiliário local enfrenta um período de retração sem precedentes, refletindo o impacto direto das políticas econômicas e da instabilidade do país sobre a vida cotidiana da população.

📉 Queda nas Vendas e Lançamentos

  • Porto Alegre: No primeiro quadrimestre de 2025, a cidade registrou apenas 366 lançamentos de imóveis novos, uma queda significativa em relação às 882 unidades lançadas no mesmo período de 2024. Além disso, o estoque de imóveis disponíveis diminuiu 14% em comparação ao ano anterior, atingindo 4.352 unidades.

  • Serra Gaúcha: Apesar da crise, Gramado se destacou com um crescimento de 4,7% no mercado imobiliário, movimentando R$ 2,5 bilhões em 2024. No entanto, cidades como Garibaldi e Carlos Barbosa enfrentam desafios semelhantes aos de Porto Alegre, com retração nas vendas e lançamentos.

    O mercado imobiliário é um termômetro da economia local, e sua retração tem efeitos em cascata. Aqui estão os principais impactos:

    Construtoras e empregos: Quando as vendas de imóveis caem, construtoras reduzem lançamentos e obras, o que gera demissões ou redução de contratações na construção civil, setor que emprega muitos trabalhadores na região.

    Comércio e serviços relacionados: A venda de imóveis movimenta lojas de materiais de construção, móveis, decoração e serviços de manutenção. Com menos vendas, essas atividades sofrem retração, afetando o comércio local.

    Receita municipal e impostos: Menos transações imobiliárias significam menos ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) e redução na arrecadação do município, limitando investimentos em infraestrutura, saúde e educação.

    Impacto no poder aquisitivo: A redução das vendas afeta investidores e compradores, desestimulando a economia em geral, já que pessoas que poderiam investir em imóveis passam a postergar decisões por conta da instabilidade econômica e altas taxas.





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