Prometida para 2026, duplicação das rodovias da Serra ficou na promessa
A duplicação das rodovias estaduais da Serra Gaúcha, prometida para estar concluída até 2026, não deve sair do papel no prazo estabelecido. O contrato de concessão assinado com a Caminhos da Serra Gaúcha (CSG) previa a conclusão de 119 quilômetros de duplicação em até sete anos, mas já se passaram dois e nenhum metro sequer foi executado. Enquanto isso, o valor dos pedágios segue sendo cobrado normalmente nas praças da região, mesmo não existindo cancelas físicas instaladas, o que faz com que a empresa reduza seus custos na contratação de pessoal.
Durante o Fórum de Competitividade, realizado em Caxias do Sul nesta quinta-feira (28), o governador Eduardo Leite (PSD), admitiu que o cronograma será adiado. Segundo ele, as enchentes de maio de 2024 redirecionaram os esforços da concessionária e do Estado para obras de resiliência, como contenção de encostas, avaliadas em R$ 215 milhões.“Todas as pessoas que deveriam, do ano passado para cá, estar trabalhando sobre o projeto de duplicação tiveram que ser deslocadas para os projetos de resiliência”, justificou o governador, acrescentando que haverá um “ajuste” no prazo.
As duplicações previstas incluem trechos da RS-122, entre São Vendelino e Farroupilha, e no contorno norte de Caxias do Sul, além da RS-453, entre Garibaldi e Farroupilha. O pacote também prevê pistas triplas em áreas de maior fluxo, como entre Caxias e Farroupilha. Apesar das explicações do governo, cresce a insatisfação de motoristas e lideranças regionais. O argumento é que, mesmo sem obras iniciadas, a concessionária mantém a cobrança integral das tarifas, o que contrasta com a ausência de entregas concretas.
O Estado aguarda agora a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) autorizar um pedido de reequilíbrio do contrato. A expectativa é que, superada a fase emergencial das obras de resiliência, seja definido um novo calendário para as duplicações. Até lá, o que resta à população é esperar — e pagar.
Enquanto isso, o governador e sua equipe pretendem colocar ainda mais praças de pedágios no estado. Um estudo feito mostra que o o Estado pretende colocar um pedágio a cada 17 km de rodovias estaduais.
O CONTRATO
O conjunto de estradas concedidas da CSG - Caminhos da Serra Gaúcha, representa 271,5 km. Iniciado em fevereiro de 2023, o contrato de 30 anos prevê investimentos de mais de R$ 4,6 bilhões, em obras de duplicação em 120 quilômetros, implantação de 59,96 quilômetros de terceiras faixas, ampliação da segurança viária e sinalização, atendimento 24 horas, manutenção, entre outras ações. A entrega das obras está prevista no contrato de concessão para 2030, mas já se passaram dois anos e até agora, nada foi iniciado.
