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Dois anos da maior enchente da história do Rio Grande do Sul

Inundações causaram 54 mortes, sendo mais de 400 mil afetados e prejuízos de R$ 1,3 bilhão
31/08/2025
Portal Adesso - Com informações - Jornal Correio do Povo
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     Em setembro de 2023, o Rio Grande do Sul enfrentou uma das maiores tragédias ambientais de sua história recente. A primeira das três grandes enchentes que atingiram o estado em menos de um ano devastou o Vale do Taquari, provocando 54 mortes — o maior número registrado em desastres naturais no RS desde 1980 — e afetando mais de 400 mil pessoas.

     Ao todo, 107 municípios registraram danos, sendo que 79 decretaram estado de calamidade pública. Os prejuízos econômicos atingiram a marca de R$ 1,3 bilhão, segundo dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM). Na região do Vale do Taquari, 16 municípios tiveram impactos diretos, e cerca de 13% das empresas turísticas perderam tudo, de acordo com levantamento da Secretaria Estadual de Turismo (Setur). Bairros inteiros foram destruídos ou abandonados, e muitos moradores precisaram ser realocados. A prefeita de Estrela, Carine Schwingel, destacou que a experiência traumática de setembro de 2023 ajudou a população a reagir melhor diante das cheias de maio de 2024: “A enchente de setembro ainda acabou salvando muitas pessoas em maio”, afirmou. O coordenador geral de Operações e Modelagem do Cemaden, Marcelo Seluchi, alerta que eventos similares podem se repetir no futuro. Ele lembra que a bacia do Rio da Prata é uma das regiões com maior incidência de ciclones no planeta, tornando a prevenção e o monitoramento contínuo essenciais.

     Dois anos depois, a enchente de setembro de 2023 ainda provoca comoção e deixa lições importantes sobre resiliência, planejamento urbano e resposta a desastres naturais no Rio Grande do Sul. E, nos dias seguintes, entre 5 e 7 de setembro, o rio Taquari atingiu os picos nos municípios por onde corre. O primeiro alerta da Defesa Civil Estadual foi em 31 de agosto, enquanto o governo do Estado afirma que 17 alertas preventivos foram enviados via SMS. O Cemaden diz ter identificado a situação com cinco dias de antecedência e, em 4 de setembro, cerca de 48 horas antes do pico de inundação, foram emitidos 40 alertas, sendo 22 de risco hidrológico e 18 de risco geológico.

     Entre os dias 4 e 5, 11 deles foram atualizados para nível alto e dois para nível muito alto. “Este evento de setembro de 2023 surpreendeu pela rapidez com que o nível do rio Taquari subiu, e a ocorrência do pico na madrugada fez com que mais pessoas fossem pegas. Os relatos são de que aguardariam o dia amanhecer para sair de casa com a claridade, mas foram atingidos antes”, disse o doutor em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental e professor do IPH/Ufrgs, Fernando Dornelles.





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