Justiça deve começar a devolver dinheiro aos que caíram no Golpe da Unick Forex
Após seis anos de espera, os investidores da Unick — empresa de investimentos do Vale do Sinos investigada por fraudes financeiras e pirâmide financeira — começam a vislumbrar o tão aguardado ressarcimento das perdas. A Justiça de Novo Hamburgo confirmou que os 1,6 mil bitcoins apreendidos pela Polícia Federal em 2019 foram oficialmente entregues à Vara Empresarial no último dia 24 de outubro e serão usados para devolver parte dos valores aos credores.
Os criptoativos estão avaliados em cerca de R$ 950 milhões, conforme a cotação atual do bitcoin, e representam o principal ativo da massa falida da empresa, que teve falência decretada em abril deste ano. Segundo o escritório Medeiros Administração Judicial, responsável por conduzir o processo de falência, 3 mil credores já protocolaram pedidos de restituição. O valor total dos créditos ainda está em análise, mas já soma R$ 200 milhões, sem que ninguém tenha sido ressarcido até o momento.
Em nota, o escritório afirmou que o pagamento será possível após a realização (venda) dos bitcoins, prevista para ocorrer em meados de dezembro de 2025. “A expectativa de pagamento será divulgada assim que a Administração Judicial concluir a realização do ativo”, informou o comunicado. Apesar do avanço, não há data definida para o início dos pagamentos, uma vez que o processo envolve a análise de mais de 1,5 milhão de transações. “Neste momento, podemos afirmar apenas que teremos uma confirmação concreta de prazos de pagamento no primeiro semestre do próximo ano”, acrescenta a nota.
A Unick Forex, por sua vez, declarou estar “colaborando de forma ampla e positiva com o processo de falência” e “arrecadando patrimônio para saldar as dívidas da empresa”.
A Unick se apresentava como uma assessoria de investimentos em câmbio e criptomoedas, sediada em São Leopoldo (RS). Em 2019, a empresa foi alvo da Operação Lamanai, da Polícia Federal, que investigava fraudes nos mercados de forex e moedas digitais. De acordo com o inquérito, a Unick prometia retornos de até 100% sobre o valor investido em apenas seis meses, captando novos clientes com promessas de ganhos fáceis. O modelo, segundo a PF, funcionava como uma pirâmide financeira: os pagamentos dos antigos investidores eram feitos com o dinheiro de novos aplicadores. Na época, a Polícia Federal apontou que a empresa chegou a movimentar R$ 28 bilhões e captar até R$ 40 milhões por dia.
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 15 pessoas envolvidas no esquema pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e operação de instituição financeira sem autorização. Todos tiveram a denúncia aceita pela Justiça Federal, e o processo segue em fase de instrução na 7ª Vara Federal de Porto Alegre. Os réus, que chegaram a ser presos em 2019, respondem atualmente em liberdade.
Segundo o MPF, entre 2017 e 2019 o grupo usou a fachada de cursos e assessorias financeiras para captar investimentos de terceiros e desviar recursos para o exterior. Os pacotes vendidos pela empresa prometiam “ensinar a investir”, mas, na prática, eram disfarces para captação irregular de dinheiro. A Justiça deve dar andamento à venda dos bitcoins apreendidos até dezembro. Só após a conversão dos criptoativos em moeda nacional será possível definir valores exatos e prazos de restituição.
Enquanto isso, o processo de habilitação de créditos segue aberto, permitindo que mais vítimas apresentem seus comprovantes de investimento. A expectativa é que os primeiros pagamentos aos credores ocorram no primeiro semestre de 2026, marcando o início do ressarcimento de um dos maiores escândalos financeiros da história recente do Rio Grande do Sul.
PORTAL ADESSO FOI UM DOS PRIMEIROS A DENUNCIAR O GOLPE NA IMPRENSA GAÚCHA
Com uma reportagem mostrando que pessoas de Garibaldi e Carlos Barbosa acreditavam no dinheiro fácil, o Portal de Notícias ADESSO, ainda em 2019, foi um dos primeiros veículo de comunicação do Rio Grande do Sul a abordar o assunto. Na oportunidade, nossa equipe foi vítima de ameaças e principalmente de criticas nas Redes Sociais de "investidores" iludidos que achavam que ganhariam até 80% de lucro diário investindo no esquema.
Leia a reportagem publicada na época:
