Tramontina vai abastecer as empilhadeiras da empresa com Hidrogênio Verde
A Tramontina deu um passo estratégico rumo à descarbonização de sua operação industrial. Até 2028, as 350 empilhadeiras utilizadas nas unidades de Carlos Barbosa, Garibaldi e Farroupilha passarão a ser abastecidas com hidrogênio verde produzido pela própria empresa, iniciativa que deve reduzir a emissão de até 4 mil toneladas de CO₂ por ano.
O projeto foi oficializado na tarde desta sexta-feira (12) com a assinatura do contrato para a instalação de uma planta de geração, compressão e armazenagem de hidrogênio verde na Tramontina Cutelaria, localizada em Desvio Machado, em Carlos Barbosa. A estrutura será o centro produtor do combustível que abastecerá não apenas os veículos internos, mas também outros processos industriais. A iniciativa nasce de uma parceria entre a Tramontina e o governo do Rio Grande do Sul, viabilizada por meio do edital de fomento à cadeia do hidrogênio verde. Ao todo, 13 projetos foram apresentados por empresas interessadas em desenvolver fontes renováveis de energia para a indústria; quatro foram selecionados, entre eles o da Tramontina.
Para viabilizar a planta, a empresa receberá R$ 30 milhões em incentivo do governo estadual, além de investir R$ 13 milhões de contrapartida própria. A partir da assinatura, o prazo para execução do projeto é de 24 meses. A responsável pelo desenvolvimento técnico da planta é a GH2 Global.
O ato de assinatura do contrato teve a presença do governador Eduardo Leite, além de secretários estaduais e dirigentes de órgãos ambientais e de fomento. Pela Tramontina, participaram o conselheiro consultivo Clovis Tramontina e Osvaldo Steffani, conselheiro da Tramontina Cutelaria e coordenador do projeto. O prefeito de Carlos Barbosa, Everson Kirch, também acompanhou a cerimônia.
O hidrogênio verde será gerado a partir de água da chuva, captada na própria empresa. Para períodos de estiagem, a Tramontina projeta a construção de um grande reservatório. A água passará pelo processo de eletrólise, que utiliza eletricidade para separar o hidrogênio do oxigênio, transformando o gás em combustível. A expectativa é produzir cerca de 500 quilos de hidrogênio por dia, utilizando aproximadamente cinco metros cúbicos de água. Todo o processo será alimentado por energia elétrica limpa, adquirida pela empresa no Mercado Livre de Energia.
Segundo a empresa, apenas a substituição do combustível das empilhadeiras já deve reduzir as emissões em 600 toneladas de CO₂ por ano, mas o impacto total do projeto — considerando outros usos industriais — pode alcançar 4 mil toneladas anuais.— Nós temos um protótipo de veículo autônomo, desenvolvido internamente, movido a hidrogênio. O próximo passo era conseguir gerar essa energia. Em função disso, fomos em busca do edital do governo do Estado para tirar do papel essa planta de geração, compressão e armazenagem de hidrogênio — explicou Osvaldo Steffani.
A estratégia logística prevê a instalação de bases de abastecimento nas fábricas de Carlos Barbosa, Garibaldi e Farroupilha. O hidrogênio produzido na Cutelaria será transportado por veículos especiais, equipados com tanques em formato de tubos, que também serão movidos a hidrogênio. Além da frota interna, o combustível poderá ser utilizado nos fornos de tratamento térmico, processos industriais que hoje dependem de hidrogênio adquirido de terceiros, ampliando ainda mais o impacto ambiental positivo da iniciativa.
Com o investimento, a Tramontina se posiciona entre as empresas pioneiras no uso industrial de hidrogênio verde no Brasil, reforçando a Serra Gaúcha como um dos polos emergentes da transição energética no país.

