MDB se divide e expõe racha político na eleição de Leandro Delazeri
A eleição do vereador progressista Leandro Roque Delazeri para a presidência da Câmara Municipal no próximo ano de 2026, definida na sessão desta segunda-feira (15), teve ampla maioria no plenário, mas revelou um racha significativo dentro do MDB. Sem apresentar chapa própria e sem consenso interno, o partido acabou dividido no momento do voto, expondo disputas e alinhamentos que vêm desde a última eleição municipal. Delazeri foi eleito por 7 X 2.
Na bancada emedebista, formada por três vereadores, dois votos foram contrários à eleição de Delazeri — Luana Meneguetti e Douglas Cettolin — enquanto Arnaldo Seganfredo votou favoravelmente, acompanhando a maioria formada por PP e PL. Além do voto, Seganfredo utilizou a tribuna para desejar sucesso ao futuro presidente da Casa e à Mesa Diretora que será empossada no próximo ano.
A postura do vereador foi interpretada como conciliadora. Diante de um cenário com chapa única, Seganfredo optou por evitar embates e alinhar-se à maioria dos colegas. Já Douglas e Luana mantiveram uma posição de enfrentamento, reforçando publicamente que não apoiam a condução política que se desenha para a presidência da Câmara, nada diferente com as críticas que fazem ao atual governo.
A divisão desta segunda-feira não é um episódio isolado. Ela carrega reflexos diretos da última eleição municipal, quando Arnaldo Seganfredo precisou buscar votos e se organizar praticamente sozinho, enquanto a maior parte da estrutura partidária trabalhava para eleger Douglas Cettolin. O episódio deixou marcas internas que agora voltam à tona em votações estratégicas. Outro ponto de tensão dentro do MDB envolve a disputa sobre a assessoria parlamentar. Enquanto Arnaldo Seganfredo e Luana Meneguetti defenderam a manutenção da atual assessoria, Douglas Cettolin manifestou posição contrária, defendendo mudanças. A divergência, embora administrativa, aprofundou o desgaste político entre os correligionários.
A ausência de uma chapa do MDB na disputa pela presidência da Câmara e a falta de alinhamento no plenário reforçam a percepção de que o partido vive um momento de fragilidade interna e perda de protagonismo político. O episódio desta segunda-feira evidencia que o MDB, ao menos neste momento, fala com vozes distintas, sem uma estratégia comum para o Legislativo e desgastado politicamente no eleitorado da cidade, com episódios da Polícia Federal fazendo busca e apreensão na casa de ex-secretários do ex-prefeito Antônio Cettolin.
Com a eleição de Leandro Delazeri praticamente definida desde o início do processo, o que ficou em evidência não foi o resultado, mas sim o significado político do voto — e, sobretudo, as fissuras internas de um partido que ainda busca se reorganizar após disputas recentes.
