Enquanto Garibaldi perdeu, Gramado ganhará Pista de Esqui
Um sonho que ficou pelo caminho em Garibaldi agora começa a ganhar forma a poucos quilômetros dali. Décadas após a pista de esqui idealizada e desenvolvida pelo visionário David Santini ser fechada e nenhuma medida concreta tomada pelos ex-prefeitos Luiz Carlos Casagrande (PT) e Antônio Cettolin (MDB), a Serra Gaúcha vê Gramado assumir o protagonismo e avançar com a construção de um resort bilionário que promete abrigar a maior pista de esqui ao ar livre da América Latina.
O Sirena Gramado, será um megacomplexo turístico avaliado em R$ 1,5 bilhão, considerado um dos maiores investimentos privados do setor no Sul do Brasil. O empreendimento ocupará 205 hectares entre Gramado e o Parque do Caracol, em Canela — uma área equivalente a cerca de metade do Central Park, em Nova York, e maior do que os parques Ibirapuera e Villa-Lobos, em São Paulo, somados.
O projeto será executado em etapas e reúne uma infraestrutura inédita no país: além da pista de esqui outdoor, o complexo contará com hotéis, residências, heliponto, fábrica de sorvetes, chocolateria artesanal, adega de vinhos regionais, spa, piscina coberta, espaços de bem-estar e até uma área reservada para a construção de um hospital.
A primeira fase será ancorada por um resort da rede Club Med, com 250 quartos, centro de convenções, espaço para eventos sociais, cerca de 20 residências unifamiliares e a pista de esqui, que já nasce com o título de atração mais ambiciosa do gênero na América Latina.
Segundo o cronograma divulgado, as obras ambientais começaram em outubro de 2025, com supressão vegetal controlada e terraplenagem. A fase de fundações está prevista para janeiro de 2026, e a entrega da primeira etapa deve ocorrer em julho de 2027. O projeto já conta com aprovação da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e prevê sistemas próprios de saneamento, manejo sustentável de águas pluviais e segurança hídrica.
O investimento é idealizado e financiado pelo empresário Dody Sirena, conhecido nacionalmente por ter sido, por cerca de 30 anos, empresário do cantor Roberto Carlos e por trazer ao Brasil grandes artistas e festivais internacionais. A presidência do empreendimento está a cargo de Jaime Sirena, que define o projeto como um novo modelo de desenvolvimento turístico baseado na integração entre hotelaria, entretenimento e mercado imobiliário. A expectativa é que o complexo gere até 19 mil empregos diretos e indiretos ao longo de todas as fases, impulsionando a economia local, ampliando a arrecadação e fortalecendo o turismo internacional em Gramado.
Enquanto isso, o anúncio reacende uma comparação inevitável na Serra Gaúcha. Garibaldi, que no passado teve a oportunidade de ser a pioneira com a pista de esqui idealizada por David Santini, agora assiste Gramado transformar em realidade o que políticos despreparados e com visão curta em gestão perderam. Este contraste evidencia que políticos qualificados, planejamento e capacidade de atração de investimentos podem definir o destino de grandes ideias.
