Política

Janela partidária deve redesenhar a Assembleia do Rio Grande do Sul

Até 14 deputados podem trocar de sigla e bancadas correm risco de extinção
07/01/2026
Portal Adesso

     O primeiro semestre de 2026 promete um verdadeiro terremoto político na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Com a abertura da janela partidária, entre março e 4 de abril, até 14 dos 55 deputados estaduais estão aptos a mudar de partido, em um movimento que pode esvaziar bancadas tradicionais, fortalecer novas forças e alterar radicalmente o xadrez eleitoral para o próximo pleito.

     O cenário já vinha sendo tensionado por pautas sensíveis, como a CPI dos pedágios, mas ganhou novos contornos após a decisão do governador Eduardo Leite de deixar o PSDB, sigla à qual esteve filiado por 24 anos, para ingressar no PSD, comandado nacionalmente por Gilberto Kassab. A troca teve efeito imediato: além de cerca de 30 prefeitos que acompanharam o governador, o impacto agora se projeta diretamente sobre o Legislativo estadual.

     A bancada tucana, que já foi uma das mais influentes do Parlamento gaúcho, caminha para o quase desaparecimento. Quatro dos cinco deputados do PSDB — Delegada Nadine Anflor, Neri o Carteiro, Pedro Pereira e Valdir Bonatto — já anunciaram publicamente que irão se filiar ao PSD, esvaziando ainda mais a legenda.

      Em ritmo de expansão, o PSD também intensifica articulações para atrair outros parlamentares. Um dos nomes sondados é Thiago Duarte, atualmente no União Brasil, que avalia migrar para o PSD ou para o PDT. Já o líder da bancada do União, Aloísio Classmann, evita declarações públicas, mas admite convites de Republicanos e do próprio PSD.

     Nem tudo, porém, é crescimento para o partido de Kassab. O PSD deve perder seu único deputado eleito: Juliano Franczak, o Gaúcho da Geral, atualmente secretário estadual de Esportes, tende a se filiar ao PP. Outro partido ameaçado de encolhimento é o Podemos, que pode perder seus dois deputados. Cláudio Branchieri já tem filiação encaminhada ao PL, enquanto Airton Lima avalia propostas de PSD, PL e Republicanos.

     O Republicanos, por sua vez, vive um momento decisivo. A manutenção de sua bancada de cinco deputados depende do posicionamento da sigla na disputa pelo Palácio Piratini. Caso apoie o pré-candidato Luciano Zucco (PL), a tendência é preservar o grupo. Se optar por outro caminho, pode perder Gustavo Victorino, Delegado Zucco e Capitão Martim. Também sem destino definido, o deputado Elizandro Sabino, ex-presidente estadual do PRD, passou a dialogar com Republicanos, MDB, PP e PSD após romper com a direção nacional do partido.

     Já o PSB, que conta com apenas um representante na Assembleia, também pode sofrer alteração. Elton Weber informou que só tratará do assunto após março, mas admite convites e, nos bastidores, é apontado como alvo de MDB, PSD e Republicanos.

     Com tantas peças em movimento, a janela partidária de 2026 se desenha como uma das mais intensas dos últimos anos no Rio Grande do Sul, com potencial para reconfigurar forças políticas, redefinir alianças e antecipar disputas que devem marcar o cenário eleitoral do Estado.



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