Rejeitados nas urnas de Garibaldi, membros do MDB se "infiltram" em Coronel Pilar
Expulsos do comando de Garibaldi pelo voto popular e derrotados nas três últimas eleições ,municipais, integrantes do MDB ligados ao antigo governo do ex-prefeito Antônio Cettolin parecem ter encontrado em Coronel Pilar um novo e estratégico palco para manter influência, visibilidade e espaço político.
A pequena cidade, com cerca de 1.600 habitantes e sem grandes indústrias e altamente dependente do setor público tem na prefeitura seu maior empregador — fator que, nos bastidores políticos da região, é apontado como decisivo para a recente e crescente presença de figuras conhecidas da velha política garibaldense em Coronel Pilar.
Nesta quinta-feira (15), a movimentação em um anuncio de uma pequena obra estadual paga por empresários, ganhou contornos ainda mais explícitos. Membros da executiva do MDB de Garibaldi, vereadores, ex-secretários do governo Cettolin e lideranças derrotadas nas urnas garibaldense marcaram presença em Coronel Pilar, em um gesto interpretado por adversários como uma tentativa organizada de ocupação de espaço político. Entre os nomes presentes, segundo lideranças locais, estava inclusive um investigado por corrupção pela Polícia Federal, em caso que já foi alvo de operações e visitas policiais à sua residência. A presença desse personagem ampliou a repercussão e o desconforto em meio à comunidade. "É uma vergonha. A Polícia Federal já esteve duas vezes na casa do cara em Garibaldi e ele aqui em Coronel no meio do prefeito, vice-prefeito e vereadores, dando risada e fazendo gracinha, demostrando que não está nem ai para a Lei", disse uma liderança indignada que pediu para não ser identificada.
Já em Garibaldi, o recado das urnas foi claro. Cansados de denúncias, processos judiciais por possíveis desvios em obras e crises administrativas, os eleitores rejeitaram o MDB de forma consecutiva nos pleitos de 2020, 2022 e 2024. A derrota mais recente, considerada um verdadeiro fiasco eleitoral, enterrou de vez a tentativa de retorno do grupo ao comando da prefeitura. O desempenho do ex-prefeito Cettolin, inclusive, reforçou a leitura de que a população da Terra do Champanha não quer mais o partido à frente do Executivo municipal com estes representantes da velha política.
Isolados politicamente na região — onde a maioria das prefeituras é comandada por partidos adversários — o grupo encontrou em Coronel Pilar uma brecha. O município é governado por um prefeito do PT, que tem como vice um nome do MDB com passagem direta pelo governo Cettolin, onde ocupou a Secretaria Municipal de Turismo. A aliança, embora legal, é vista por críticos como a porta de entrada para a reabilitação política de lideranças rejeitadas em sua cidade de origem.
Em eventos oficiais, atividades políticas e no cotidiano da cidade, moradores relatam ser cada vez mais comum ver a chamada “turma de Garibaldi” circulando por Coronel Pilar. Há também informações de que alguns desses nomes estariam prestando serviços à prefeitura, o que alimenta questionamentos sobre critérios, influência partidária e favorecimento político e legalidade.
Aliados afirmam que a atuação é legítima e faz parte do jogo democrático. Já críticos enxergam a movimentação como uma tentativa clara de garantir cargos, projeção e sobrevivência política, após a rejeição das urnas em Garibaldi. Enquanto isso, em Coronel Pilar, cresce a atenção sobre os rumos da administração e sobre até que ponto a política importada de fora pode moldar o futuro de um dos menores municípios da região.
Outra preocupação dos moradores e lideranças de oposição em Coronel Pilar é a reforma tributária, onde especialistas e entidades municipalistas alertam que cidades pequenas, com baixa base econômica e forte dependência de repasses, podem sofrer perda de arrecadação e autonomia financeira. Simulações da Confederação Nacional de Municípios (CNM) indicam que a substituição do ISS e do ICMS pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) pode reduzir receitas de municípios que não concentram consumo, como é o caso de cidades de pequeno porte. Com a mudança da lógica de arrecadação — do local de produção para o de consumo — localidades com pouca atividade econômica própria podem perder ainda mais recursos.
Embora a reforma não preveja a extinção direta de municípios, o temor nos bastidores é que a combinação entre queda de arrecadação, dependência de repasses e perda de autonomia transforme cidades como Coronel Pilar em estruturas administrativas cada vez mais frágeis, levantando debates sobre sua viabilidade no longo prazo.
