Rio Grande do Sul inicia 2026 com uma mulher morta a cada três dias
O Rio Grande do Sul enfrenta um início de ano alarmante. Ao menos sete feminicídios foram registrados desde o começo de janeiro, o que representa a média de uma mulher assassinada a cada três dias em 2026. O número já supera os seis casos contabilizados em todo o mês de dezembro de 2025, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP).
A escalada da violência ficou ainda mais evidente nos últimos dias: cinco mulheres foram mortas entre domingo e terça-feira, em diferentes regiões do Estado. Em Porto Alegre, dois crimes ocorreram em menos de 24 horas, ambos na zona sul da Capital, e tiveram como suspeitos ex-companheiros das vítimas. Além da Capital, os feminicídios foram registrados em Guaíba, Canguçu, Santa Rosa, Sapucaia do Sul e Muitos Capões, espalhando a tragédia por todas as regiões gaúchas. Um oitavo assassinato, ocorrido em Bento Gonçalves, é investigado separadamente como homicídio ligado ao tráfico de drogas e, por enquanto, não entra nas estatísticas de feminicídio.
Os casos reforçam um padrão recorrente: a maioria das vítimas foi morta por parceiros ou ex-parceiros, dentro de contextos de relacionamento, separação ou disputa familiar. Em várias situações, filhos presenciaram ou foram diretamente impactados pelos crimes.
A primeira vítima de feminicídio de 2026 no Estado foi a bombeira civil Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte, de 31 anos, morta dentro de casa em Guaíba. Ela deixou um filho de 10 anos. Desde então, outras seis mulheres perderam a vida em circunstâncias semelhantes, incluindo uma adolescente de apenas 15 anos, morta em Sapucaia do Sul.
Em Porto Alegre, os crimes chamaram atenção pela proximidade no tempo e no local. Josiane Natel Alves, de 32 anos, foi assassinada no bairro Campo Novo, enquanto Paula Gabriela Torres Pereira, de 39 anos, morreu no dia seguinte, em uma parada de ônibus no bairro Chapéu do Sol. Nos dois casos, os suspeitos eram ex-companheiros.
Para especialistas e entidades de defesa das mulheres, os números revelam um cenário preocupante e indicam falhas na prevenção e na proteção de vítimas que já estavam em situação de risco. A sucessão de crimes reacende o alerta sobre a urgência de políticas públicas mais eficazes, fortalecimento das redes de apoio e respostas rápidas do sistema de Justiça.
Enquanto isso, as estatísticas seguem crescendo — e, com elas, a lista de famílias destruídas pela violência. O começo de 2026 deixa claro que o feminicídio continua sendo uma das faces mais graves e persistentes da criminalidade no Rio Grande do Sul.
